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quarta-feira, 9 de março de 2011

A culpa é do Diabo

Deixou a porta de casa aberta, foi assaltado. Deu desfalque na empresa, foi demitido. Transou sem camisinha, contraiu doença venérea. Avançou o sinal vermelho, foi multado e acumulou pontos na carteira. Caluniou o amigo, perdeu uma grande amizade e será processado por difamação.

À noite – como faz diariamente – foi à igreja. Ajoelhou-se. Durante a oração, disse que o ladrão, o patrão, a mulher desconhecida, o guarda de trânsito e o amigo querido foram usados pelo Diabo. Por isso, perdeu dinheiro, emprego, saúde e amizade.

Um pouco mais aliviado, levantou-se. Sentou no banco. Assistiu ao culto. Depois, voltou para casa. Dormiu tranquilamente, afinal precisava descansar para enfrentar as hostes malignas do dia seguinte.
 
 
(Valdeir Almeida - Veja.com)
 
 
 
 
 
Selma

domingo, 6 de março de 2011

Google Chrome

Essa é uma sugestão do Sr Anônimo que gostou do navegador da Google, e aproveitei o carnaval para estudá-lo. A primeira coisa que testei foi o YouTube, um vídeo de um minuto demora meia hora para descarregar no Internet Explorer, meia hora no Firefox e também leva meia hora no Chrome. Ou seja, não melhora em nada a velocidade de conexão com a Telefônica.

O Firefox tem uma extensão chamada iMacro, que facilita o serviço de consulta do extrato bancário, ele memoriza e digita a agência, aquele número enorme da conta, ele também pode digitar para você a senha, mas eu não aconselho a fazer isso. Já o Chrome tem duas extensões com o nome de iMacro, só que nenhum dos dois funciona!

No portal da Prefeitura de Diadema, tem um serviço no tópico do ISS que você pode escriturar pela Internet. Só que não funciona no Firefox, e muito menos no Chrome. O único que consegue escriturar o livro do ISS na prefeitura de Diadema é o Internet Explorer, notório pela sua mania de travar a toda hora.

A Caixa Econômica Federal é outro bom teste. Se você pegar um micro novo, a Caixa pergunta se você quer cadastrar aquele micro para acessar a sua conta. Caso afirmativo, você entra na rotina do cadastramento do micro, isso no Internet Explorer. O Firefox dispara centenas de avisos, afirmando que aquele site é prejudicial à sua saúde. Hoje testei o Chrome, e a Caixa Econômica Federal pediu para telefonar para a Central de Atendimento. Se é possível acessar a conta corrente no CEF pelo Chrome, isso eu não sei, pois não cheguei a telefonar para lá.

Concluindo: o que o Sr Anônimo deve ter gostado do Chrome é a sua interface gráfica que não tem Menu como acontece nos clássicos navegadores. Para definir uma página como favorito, basta clicar na estrelinha. Para acessar um favorito, você pode defini-lo como uma barra fixa abaixo da barra de endereço, ao invés da tradicional lista, os favoritos aparecem lado a lado. Ou seja, o Chrome é bonitinho. Mas tão ordinário quanto os outros dois.

@frankhosaka

Essa crônica continua no Portal do Android

quinta-feira, 3 de março de 2011

olá,

como diria o Tim Maia, "aquele abraço" em vcs todos, pois acho que ficarei fora vários dias, por causa do feriado da semana que vêm.

Festejem com juízo, é o que desejamos eu e o Contravocê.(hohó!)

Mantenham-se com boa saúde e sempre em segurança.

Obrigada pela atenção que deram aos meus apelos nesses dias, (sobre informática)

Até logo.


Mala Nihil

Ginecologista do século XIX

Ser médico ginecologista no século XIX (no Brasil), não era fácil. Um dos mais sérios obstáculos à realização de um exame completo em pacientes era o acesso ao corpo das mulheres, protegido pelas normas de pudor, religião e decência implantadas crescentemente pela sociedade.

O corpo da mulher era  até então pouco explorado pelos homens, já que cabia às parteiras os prognósticos às cegas no período do pré-natal e o parto. Mais havia situações complicadíssimas onde era necessária a intervenção profissional ou a paciente viria a óbito. A introdução do médico no cuidado à saúde feminina representou, entre outras coisas, a presença de um homem, diferente dos familiares com atribuições de tocar o corpo das mulheres, especialmente as partes consideradas íntimas.

Diante do risco de vida, o marido da enferma acionava o ginecologista que ao chegar à residência e adentrar no quarto do casal, já despertava de maneira disfarçada um ciúme muçulmano, com maneiras gentis. Entretanto, era o marido que fazia o toque nas partes íntimas da esposa por baixo da roupa sob a orientação constrangida do clínico, caso a enferma acusasse dor, ele balançava a cabeça para o desconfiado marido e em seguida receitava o medicamento.

Nos consultórios ginecológicos, as esposas iam sempre acompanhados dos maridos que ficavam na antessala ou entravam juntamente com elas. Até que se instalasse a cumplicidade entre o médico e a mulher, foram usados vários artifícios, como o manequim ou a boneca, nos quais as pacientes apontavam o local da dor ou do incômodo, para evitar apalpações consideradas desnecessárias.

 A mais antiga referência do uso da boneca como intermediária de consulta surge na antiguidade chinesa, cerca de 2.500 anos antes de Cristo, quando uma estatueta de marfim para diagnóstico era levada pelas mulheres ao médico.

Os manuais de medicina do século XIX, orientavam sobre as posições dos clínicos e das pacientes durante uma consulta.



Enquanto a mulher ficava de pé, e olhando para o lado, o clínico se ajoelhava e examinava a paciente introduzindo- lhe a mão por debaixo da saia. A apalpação era feita às cegas, pois o ginecologista não podia observar o local examinado. Para o parto feito por parteiro, foi muito disseminado a “posição inglesa”, com a paciente deitada de lado e o médico às suas costas. Levantava-se a perna da mulher e retirava-se a criança, de modo que parteiro e parturiente não se olhassem. Olhar nos olhos da paciente significava grande intimidade, o que não era recomendado.

Com tantas dificuldades de aproximação, para os problemas femininos mais frequentes existiam as parteiras, os chás e demais remédios caseiros, as rezas e benzeduras, o apelo aos santos, o repouso, os banhos e as dietas especiais.

O curioso de tudo que no início do século XX, com surgimento das ginecologistas femininas, muitas pacientes traziam relatórios escritos em papel almaço para os consultórios. A médica, a sós com sua paciente, funcionava como uma psicóloga cuidando não apenas do corpo, mas também ouvindo seus problemas pessoais, as pacientes esqueciam do horário da consulta passando até horas e causando insatisfação de pacientes que aguardavam lá fora.




(Revista Nossa História nº6/2004)

A porta estreita

Muitas vezes, ao sair do trabalho, tenho o hábito de andar pela cidade pensando no que ainda tenho para fazer.  Sou, dessa forma, uma pessoa distraída. Foi dessa  maneira que uma senhora interceptou meu trajeto e me ofereceu um panfleto onde se lia sobre a porta estreita, a porta larga, os perigos que o carnaval oferece e o endereço de sua Igreja Evangélica e também o horário do culto (seria naquele mesmo dia, às 19 horas). Na longa fila do banco, li todo o texto.  E é sobre ele que reflito abaixo.




Há mais de 2000 anos, quando Jesus esteve presente entre nós,  Jerusalém era cercada por 5 km de muralha para proteção contra os ataques inimigos. Entrava-se em Jerusalém por uma “porta larga” chamada de porta áurea que fechava todo dia ao pôr-do-sol por motivo de segurança. Os retardatários viam-se obrigados a entrar por um buraco existente na muralha que tinha o formato do fundo de uma agulha e por isso era chamada de “porta estreita”.

Provavelmente Jesus criou a parábola da Porta Estreita desses fatos, pois Ele usava os acontecimentos e costumes daquela época para ilustrar suas histórias para que melhor pudéssemos compreendê-lo.

Pela fresta da muralha era preciso que entrasse de um em um e com muita dificuldade, não era possível passar por ela sem antes se despojar da carga e dos pertences que carregavam consigo.

Jesus, presenciando esta cena, dizia que aquele que desejar alcançar a verdadeira felicidade e conquistar o Reino dos Céus terá que se despojar da pesada carga de inferioridade como o egoísmo, a inveja, a desonestidade, a vaidade, a sensualidade, a ambição e tantas outras imperfeições comuns aos seres humanos.


Muitos dizem ser a porta estreita, a que leva ao Reino dos Céus, a verdadeira felicidade. Um caminho de sacrifícios e dificuldades, mas se analisarmos as lições de Jesus veremos que esse caminho pode ser de felicidade, de harmonia e de tranqüilidade, desde que procuremos seguir o maior ensinamento de Jesus “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Esse é o caminho que conduz a redenção espiritual, é estreita porque aquele que deseja transpô-la deve se esforçar a fim de vencer suas más inclinações e poucos são os que se resignam a isso.

Por isso Jesus disse: “muitos são os chamados e poucos os escolhidos”, porque poucos se dispõem a seguir seus ensinamentos, poucos deram ouvidos a Ele.

Muitas portas são abertas para nós nas diversas existências terrenas, umas dão passagem para a vida fácil, atiçando nosso orgulho, nossa vaidade, nossa ambição, etc... Outras dão acesso à verdadeira felicidade através da ajuda ao próximo, desejando a ele o que desejaríamos para nós mesmos, e nós temos o livre arbítrio para escolher entre uma e outra, Deus nos dá a liberdade para passarmos por uma ou outra preparando nossa caminhada.

Não sei o que acontece com o ser humano. Liga-se a TV e as notícias são de filhos matando pais, de crianças sendo assassinadas por motivos fúteis, drogas e outras coisas.  Isso me entristece.

Se o mundo acabar em 2012, realmente será uma boa.


quarta-feira, 2 de março de 2011

Encantadora 7

O Contravocê (hohó!) me disse que só vai aparecer por aqui para continuar a série artistica dele, entitulada Clássicos, onde ele mostra pinturas do classicismo, da renascença, e onde ele pretende mostrar os pré-modernistas-     me disse que só irá voltar aqui após o carnaval,porque o computador dele entrou em pane, devido a um raio que caiu na casa dele.(eu já falei para ele instalar um pára raios, mas ele nunca me escuta em certas coisas, e sempre insiste em deixar tudo nas mãos "da santinha")

Por enquanto, vou suprir a falta que ele está fazendo,mandando um portfolio antológico a vcs.
As imagens não aumentam, para que cada pintor seja visitado,não é necessário trabalho nenhum além de mover o cursor para cima ou para baixo.
Essa coleção tem só os nomes básicos da arte de todos os tempos, é fácil de ver,e para os muito interessados, a visita deverá demorar umas três horas, se for ao museu inteiro.
Ou uns três meses,para quem ver só um pintor por dia.

Tirem o maior proveito, se encantem muito aqui.       Uma boa tarde a todos.
°
°
Mala Nihil    (o museu está logo abaixo)

http://www.ricci-arte.biz/

Turbilhão 601

Boa tarde, dra Selma.

Mais tarde, ou amanhã- eu tentarei dizer algo sobre o luto.(seu artigo de hoje)

Sempre tive bloqueios pessoais para falar em eventos que fazem sofrer- e há histórias que normalmente, eu preciso "digerir" por meses, para depois conseguir dizer algo a respeito.

Vou comentar sobre a reportagem da Burrice,que eu já li umas três vezes na revista Planeta.

O autor mostrou preconceito contra os elementos sem muita saúde mental.
Mas ninguém pode ser culpado de um Q.I apenas normal.
O Q.I é pouco suscetível a mudanças.
Parte do que ele chama de burrice, é principalmente nossa impossiblidade de pensarmos em várias coisas simultaneamente -enquanto nos ocupamos de uma tarefa.
Se isso fôsse possível acontecer,nossa vida não seria viável.
E em geral,quem é menos inteligente reconhece sim, seu limite, convive mal com isso, adoece por causa do fato, e adoece de tanta ansiedade -  por medo de cometer erros.
A autoconsciência dos pouco espertos e dos pouco competentes, sempre é dolorosa, tanto que muitos desenvolvem transtorno obsessivo compulsivo.

A epidemia de depressão que varre o mundo atual, vêm de uma sensação crescente de inadequação das pessoas.

O fato de alguém fazer algo que não poderia fazer- que não sabe fazer, etc e tal, não quer dizer que essa pessoa realmente se acredita tão capaz assim. Isso significa somente que existe  falsidade no procedimento comum dos cidadãos, que podem se atribuir capacidades exageradas, para a garantia de um emprego.
E uma vez que se ganha um salário,é necessário trabalhar, não importa o quanto a ocupação seja dificil.

Ninguém se lamuria na frente dos outros - se autodifamando,pois isso passa um atestado de fraqueza de caráter.
Mas a verdade,é que muitos dos que fazem coisas que estão além das suas capacidades, entendem que estão fazendo isso,mas não podem evitar a rotina.

Discordo da "posição" do autor do artigo, mas ele foi um relato didático que eu usei num texto aqui nesse blog onde eu contei que os estrangeiros, tem preconceito contra elementos de inteligência mediana- e que mais do que nós brasileiros, são intolerantes contra pessoas limitadas,mesmo que eles saibam que esse limite é fonte de sofrimento para os portadores desse limite.

Ele serviu de "base" para eu discorrer longamente sobre os "caminhos para se aumentar o quociente de inteligência de uma população"- e sobre a necessidade de bons hábitos alimentares e de exercicios fisicos na infância e na adolescência,bem como na necessidade de muitas horas na escola, quando se tem menos de vinte e dois anos.
Esse artigo foi lido mesmo, por gente lá do JD.

Em resumo, se eu encontrasse o autor desse texto pela frente, eu não mais molharia ele com um jato d'água- como eu pensei que faria.(sou mesmo brava)
Eu agradeceria a ele, formalmente, pelas idéias- mas continuaria de cara feia.
E diria para ele que "anta", é a senhora dele.
Talvez, ele me ouviria dizer "santa" e ainda agradeceria de volta.(kkk...)

Enfim, vamos conversando o que podemos sobre a formação  , a necessidade e a manutenção da inteligência.


Mala Nihil

Mais uma pergunta sobre informática aos bons leitores...

...em primeiro lugar,boa tarde a vocês.

Não tenho muita urgência para ser atendida-
mas eu queria perguntar como algum (ou todos) vcs fazem para resolver um problema de tela tremida, e reduzida à metade, na tela do computador.
Pergunto isso, para tentar usar alguma alternativa ao chamamento do técnico,pois estou receando que ele vai dizer que meu monitor tem que ser trocado, algo que sempre envolve despesas.

Eu já resolvi aquele problema da gravação de um link à revelia no cachê da internet- acho que - por fazer a limpeza do disco.

Também, aquela pergunta que fiz ao sr.Hosaka na semana retrasada, sobre como evitar a recuperação de informações apagadas recentemente- eu fiz no google também, e já achei uma resposta.
Precisava dela, porque onde as pessoas jogam "paciência" no orkut, sempre tem o recurso de "restauração da última sessão de navegação".

Agora, desejo arrumar esse problema de tela, pois vcs tem visto- eu quase não estou aparecendo mais.

É difícil ler ou enxergar o que se escreve, com a tela toda tremida.
Antes, esse problema, demorava umas duas horas para começar,mas agora, depois que eu baixei os programas de serviço desse mês, isso está levando uns quinze minutos.
E fica assim todo o tempo.
Andei pesquisando na web, e alguns sites de informática dizem que esse é um problema por que se tem um navegador que não está aguentando mais os programas, e que a I.e 6, por ex, tem que ser trocada pela Ie.7, mas eu também gostaria de ouvir vocês, e - especialmente ao sr.Hosaka, se ele ver esse texto.
Daqui a pouco mesmo, eu vou instalar o I.E 7, naquele pc- claro que não é aquele que estou usando, nesse momento.

Se baixar esse programa resolver, avisarei todo mundo.

É, eu entendo que estou precisando de fazer umas manutenções extras nos meus equipamentos em uso.

Como sempre, já vou agradecendo com antecipação, as orientações que aparecerem-esperando que sirvam para os outros também.

°
º
º
Mala Nihil

Você é burro?


"Duas coisas são infinitas: o universo e a burrice humana. Mas a respeito do universo ainda tenho dúvidas", disse Albert Einstein. Componente inalienável da natureza humana, a burrice é, provavelmente, a força mais perigosa do cosmos.





O que significa ser burro?
 O conceito não tem uma definição teórica indiscutível. Não é o oposto de inteligência: há pessoas inteligentes que, vez por outra, fazem o papel de burras.
Uma definição convincente foi dada pelo historiador e economista italiano Carlo Cipolla: “Uma pessoa burra é aquela que causa algum dano a outra pessoa ou a um grupo de pessoas sem obter nenhuma vantagem para si mesmo – ou até mesmo se prejudicando.”


A burrice tem a peculiar vocação de se traduzir em ações, e por isso mesmo se torna perigosa. Segundo Cipolla, que identificou cinco “leis fundamentais da burrice” até mesmo os mais inteligentes tendem a desvalorizar os riscos inerentes à burrice. E ela é mais perigosa que a crueldade: esta, tendo uma lógica compreensível, pode pelo menos ser prevista e enfrentada. Para começar, pensemos naqueles que, em tempos de Aids, mantêm relações sexuais sem proteção ou nos que não usam um antivírus no próprio computador, expondo a si mesmos e aos outros ao contágio de vírus reais ou virtuais.




A burrice sempre ofereceu cenas e personagens cômicos, como no conto de Andersen A roupa nova do imperador, no qual dois alfaiates mal-intencionados convencem o rei a vestir uma roupa maravilhosa, invisível para as pessoas burras. Era uma armadilha: ninguém queria admitir a própria burrice nem contradizer o soberano afirmando não ver a roupa (que de fato não existia). Só um menino teve a coragem de dizer que o rei estava nu, revelando a trapaça. Mas, atenção: rir da burrice pode deixá-la “simpática” e, portanto, desvalorizada. Se na ficção o estúpido é facilmente reconhecido, na vida real as coisas são diferentes.


A burrice tem três características fundamentais:
1) Ela é inconsciente e recidiva: o burro não sabe que é burro e tende a repetir várias vezes o mesmo erro. Tais características contribuem para dar mais força e eficácia à ação devastadora da burrice. A pessoa estúpida não reconhece os próprios limites, fica fossilizada em suas convicções particulares e não sabe mudar. Por isso, como diz o psicólogo italiano Luigi Anolli, “no âmbito clínico, a burrice é a pior doença, por ser incurável”. O estúpido é levado a repetir os mesmos comportamentos porque não é capaz de entender o estrago que faz e, portanto, não consegue se corrigir.

2) A burrice é contagiosa. As multidões são muito mais estúpidas que as pessoas que as compõem. Isso explica por que populações inteiras (como aconteceu na Alemanha nazista ou na Itália fascista) podem ser facilmente condicionadas a perseguir objetivos insanos, um fenômeno bastante conhecido na psicologia. “O contágio emotivo próprio do grupo diminui a capacidade crítica”, explica Anolli. “Percebe-se a polarização da tomada de decisão: escolhe-se a solução mais simples, que na maioria das vezes é a menos inteligente.”

3) Além da coletividade, há um outro fator que amplifica a burrice: estar numa posição de comando. “O poder emburrece”, afirmava o filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Por quê? Quando estão no poder, as pessoas muitas vezes são induzidas a pensar que, justamente por ocuparem aquele posto, são melhores, mais capazes, mais inteligentes e mais sábias que o resto da humanidade. Além disso, estão cercadas de aduladores, seguidores e aproveitadores que reforçam o tempo todo essa ilusão. Dessa forma, quem está no governo chega a cometer as mais graves faltas com a aprovação geral.



O PODER – SEJA ELE político, econômico ou burocrático – aumenta o potencial nocivo de uma pessoa burra. Um exemplo extremo é dado no filme Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick. Nele, um grupo de estúpidos de grau máximo pensa em detonar uma carga explosiva nuclear que levará ao fim do mundo, por uma simples frivolidade.

Por seu lado, o rei Luís 16, no dia 14 de julho de 1789 (a data da Queda da Bastilha, evento que deu início à Revolução Francesa), escreveu em seu diário: “Hoje, nada de novo.”
O mesmo obtuso e burro senso de invencibilidade fez o general George Custer supervalorizar suas forças e atacar os índios em Montana (EUA), em 1876. Resultado: centenas de soldados do Exército norte-americano foram massacrados pelos índios sioux e cheyennes no riacho Little Big Horn.

Ou, ainda, levou Napoleão a atacar a Rússia em pleno inverno de 1812: o Exército francês foi dizimado pelo frio e pela exaustão. Sem contar as previsíveis tragédias das guerras do Vietnã e do Iraque de hoje.
Em cada um de nós há um fator de burrice que é sempre maior do que imaginamos. Isso não é, necessariamente, um problema. Ao contrário, a estupidez tem uma função evolutiva: serve para nos fazer agir precipitadamente, sem pensar muito, o que em certos casos se revela mais útil do que não fazer nada.

A burrice nos permite errar, e na experiência do erro há sempre um progresso do conhecimento. Assim, o ponto-chave para anular a burrice está em reconhecer os próprios erros e se corrigir. Como dizia o escritor francês Paul Valéry: “Há um estúpido dentro de mim. Devo tirar partido de seus erros.”
Como? Um estudo da Universidade de Exeter (Grã-Bretanha), publicado no Journal of Cognitive Neuroscience, identificou uma área do cérebro – no córtex temporal – que é ativada quando está para se repetir um erro já cometido: um sinal de alarme nos impede de recair na mesma situação.
Se na base da burrice existisse uma anomalia localizada, talvez um dia pudéssemos corrigi-la com uma cirurgia. Desde que não caíssemos nas mãos de um cirurgião idiota.

TODOS NÓS ESTAMOS prontos a admitir que somos um pouco loucos, mas burros, jamais. Fuçando na literatura científica, é possível descobrir que somos um pouco burros, cada qual de um jeito diferente; mas o cérebro funciona de forma a nos esconder essa realidade. E mais: podemos descobrir que, apesar de tudo, é melhor assim.

As estatísticas indicam que 50% dos motoristas não sabem dirigir: um tem dificuldade para estacionar, outro circula a 20 km/h, um terceiro ocupa duas faixas como se a rua fosse dele. Mas quem não sabe dirigir não tem consciência disso, ou desistiria, preferindo o transporte público e aumentando, assim, as próprias (e as alheias) possibilidades de sobrevivência.
 O mesmo exemplo pode ser aplicado às pistas de esqui, ao universo de trabalho, ao campo de futebol e assim por diante.

Quem é suficientemente inteligente para reconhecer que não sabe guiar direito? Se formos a um hospital e entrevistarmos os recém retirados das ferragens de um carro, descobremos que ninguém admite integrar a categoria dos incapazes.
Pesquisas mostram que 80% das pessoas internadas por acidente de carro acreditam pertencer à elite dos motoristas com habilidades superiores à média. E a responsabilidade do acidente? A maioria atribui seus erros à falta de sorte ou a algum idiota que cruzou seu caminho.
E TEM MAIS. Imagine-se agora como um verdadeiro fracassado em um determinado setor – por exemplo, na pintura, na natação, em estatística. E tente imaginar ser suficientemente inteligente para admiti- lo. Não se iluda: também aqui seu lado burro será revelado. “Seu cérebro encontrará um obstáculo, atenuando a importância daquele setor”, explica Cordelia Fine, pesquisadora no Centro de Filosofia Aplicada e Ética Pública da Universidade de Melbourne (Austrália).

“Aquela carência não o incomodará mais”, prossegue ela, “pois seu cérebro tenderá a considerar o desenho, a natação e a estatística como atividades supérfluas”. Assim, é melhor nos contentarmos em admitir que nossas fraquezas são comuns o bastante para fazer parte da falibilidade humana, enquanto nossos pontos fortes são raros e especiais.

Há uma explicação para esse comportamento? “A falência é a principal inimiga do nosso ego e da nossa auto-estima. É por isso que o cérebro, um grande vaidoso, faz o máximo para bloquear o caminho a essa hóspede indesejada”, acrescenta a pesquisadora.

Isso não é uma grande novidade, visto que no frontão do templo de Delfos, na Grécia, estava escrito: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses.” Mas o autoconhecimento não é tão fácil: a idéia de quem somos varia de acordo com as necessidades.
Em 1989, Rasyid Sanitioso e Ziva Kunda, na época psicólogos na Universidade de Princeton (EUA), mostraram a alguns jovens pesquisadores falsos estudos que documentavam um maior sucesso das pessoas extrovertidas. A outros deram pesquisas que premiavam os introvertidos. Pois bem: os estudantes se identificavam com qualquer dos traços de personalidade apresentados como passaporte para o sucesso...

VÁRIAS ESCOLHAS absurdas são feitas de maneira  burra, sem uma avaliação dos prós e contras, dados e estatísticas reais.
Casar-se, por exemplo, é uma decisão que implica um vínculo para toda a vida. Quem, cruzando as portas da igreja ou do cartório, tem a perfeita consciência de que, segundo as estatísticas, o casamento tem 50% de chance de dar errado?
No momento do “sim”, só sabem disso os pais dos noivos, os avós, os amigos, parentes e até mesmo o padre e o juiz. Os interessados diretos demonstram uma obstinação cega, perfeitamente convencidos de que sua união será uma exceção a todas as regras. Até porque, se não estivessem seguros, a continuidade da raça humana dependeria da péssima eficácia dos contraceptivos e o Homo Sapiens poderia já estar extinto.

E a capacidade de admitir nossos erros de avaliação? Quase inexistente: estamos atados a nossas convicções como se elas fossem coletes salva-vidas. O que pedimos ao mundo não são novos desafios a nossas ideologias políticas e sociais. Preferimos amigos, livros e jornais que compartilham e confirmam nossos iluminados valores. Mas, cercando-nos de pessoas oportunistas, reduzimos a chance de que nossas opiniões sejam questionadas.

Também nos vários setores da pesquisa, a burrice se apresenta pontualmente: os envolvidos tendem a considerar um estudo sério e convincente quando os resultados coincidem com seu ponto de vista; ou julgamno ultrapassado e cheio de defeitos quando vão de encontro a suas expectativas. Esse fator explica por que muitas vezes é inútil tentar demover um obstinado de manter idéias claramente erradas.

Todas as vezes que nosso cérebro pensa no futuro, tende a produzir previsões otimistas. Por exemplo: estamos sempre certos de que nosso time do coração vai ganhar o jogo, embora haja outra possibilidade. As previsões “autocelebrativas” também acontecem nas bancas de apostas, nos cassinos e nas loterias, nas quais as pessoas desperdiçam dinheiro porque a capacidade de julgamento fica dominada pelo desejo de vencer. Qual é a razão desse estúpido otimismo do cérebro? Ele nos protege contra as verdades

desconfortáveis.
HÁ PESSOAS QUE chegam incrivelmente perto da verdade sobre si mesmas e a respeito do mundo. Elas têm uma percepção equilibrada, são imparciais quando se trata de atribuir responsabilidades de sucessos e fracassos e fazem previsões realistas para o futuro. Testemunhas vivas do quanto é arriscado conhecer a si mesmas, elas são, para muitos psicólogos, pessoas clinicamente depressivas. Martin Seligman, docente de psicologia na Universidade da Pensilvânia (EUA), demonstrou que o chamado “estilo explicativo” pessimista é comum entre os deprimidos: quando fracassam, assumem toda a culpa, consideram-se burros, péssimos em tudo e se convencem de que essa situação vai durar para sempre.

E quais são os resultados de tanta (às vezes excessiva) honestidade intelectual? Deborah Danner, pesquisadora da Universidade de Kentucky (EUA), examinou os efeitos da longevidade em 180 noviças norte-americanas, otimistas e pessimistas. Quanto mais otimistas se mostravam as religiosas, mais tempo viviam. As mais joviais viveram em média uma década além das pessimistas. É claro que ser realistas e ao mesmo tempo serenos e otimistas seria o ideal; mas não há dúvida de que às vezes um pouco de burrice faz bem.


 (Revista Planeta  432)




Selma


 

terça-feira, 1 de março de 2011

O Luto


(Baseado no Especial da Revista Veja 2011 – Luto)

Um luto nunca se parece com outro. Isso porque o luto não é um sentimento e sim um turbilhão deles.  É uma tempestade dentro do coração.
A notícia confortadora é que muitos de  nós consegue resistir a essa tempestade. A notícia nova e esperançosa  é que assim como cada luto é único, cara indivíduo parece também dispor de estratégias próprias para conviver com o luto até que ele se amaine.  É comum que na tentativa de confortar o enlutado, as pessoas que o cercam, os profissionais de saúde   os livros de autoauda proponham receitas: deve-se falar sobre os sentimentos, e não guardá-los; deve-se agir e não cair na introspecção; deve-se pensar nos que estão vivos e não em quem se foi. O que os estudos mais recentes indicam, porém, é que essas regras podem ajudar alguns enlutados – mas não todos, nem qualquer um. Quando funcionam, é mais por acaso estatístico do que por solidez científica ou empírica. O luto,  mostram esses estudos, não tem regras e nem obedece elas.
Muito do que hoje se dá como certo sobre o luto vem do trabalho da psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross. Estudando pacientes em estado terminal em um hospital de Chicago, ela descreveu em cinco estágios a convivência deles com a idéia da própria morte eminente: primeiro viria a negação. Depois, a raiva, em seguida, a barganha, a depressão e, por fim a aceitação. Em 1969, a psiquiatra publicou a teoria em um livro, “Sobre a Morte e o Morrer”, que se tornou um best-seller: nada mais confortador do que a noção de que pode haver a previsibilidade em uma circunstância – a da finitude – que, para cada um de nós e para toda a humanidade como um todo é a mais assustadora, enigmática e caótica  de todas.

Logo a ideia dos estágios caiu...   Em um estudo de 2007 da Universidade de Yale, quase todos os voluntários que foram objetos de um estudo, mostraram estar  em plena aceitação da morte de seu ente querido, e diziam sentir não raiva, mas apenas saudade.  O mito cuja derrubada é surpreendente , porém, corresponde  àquela regra e que o enlutado deve  se obrigar a expressar os seus sentimentos. Um estudo conduzido pelo psicólogo George Bonanno, professor da Universidade Colúmbia, nos EUA, estabeleceu que aqueles que aqueles que silenciam sobre as suas emoções  ( em particular as negativas) no início do luto e se recuperam com mais rapidez, e de maneira menos penosa,  do que os que verbalizam seus sentimentos. A descoberta é corrobada  pelo acompanhamento, durante anos, de 2000 parentes de vítimas dos atentados de 11 de setembro. Mesmo em uma situação que envolve raiva e desejo de vingança, como essa, venceu melhor a borrasca quem não pos constantemente em palavras esses sentimentos. Ou seja,  o narrar constante desses estragos que a tempestade do luto inflige ao coração parece torna-la mais presente e duradoura – e não dissipa-la como se acredita.
Deixa de valer, também a crença generalizada de que o luto é uma espécie de tarefa, algo que é preciso enfrentar, trabalhar, digerir e abraçar. Salvo exceções, o luto não requer que o enlutado brigue com a dor ou consigo mesmo. Se ele se entrega ao desespero em toda a sua intensidade ou “ausenta-se” de si  e de seu entorno, se prefere falar ou calar – ainda que as aparências sugiram o contrário, cada um de nós tende a responder da maneira mais eficaz possível aos ditames instintivos da sobrevivência psíquica e da superação.
São muitos os aspectos  que influenciam o caminho que o luto vai percorrer. O mais importante deles  é a intensidade do vínculo que se mantinha com a pessoa falecida: quanto mais amor, mais dor, diz a psiquiatra Tânia  Maria Alves, coordenadora do ambulatório   de luto do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Também podem ser decisivas  as circunstâncias da morte: se esperada ou repentina, se na juventude ou na velhice, se fruto da violência ou o acaso. E, claro, o enlutado contribui para essa equação com suas próprias variáveis: sua força para enfrentar adversidades, seu estado psicológico no período anterior à perda, as mágoas e alegrias que nutria em relação ao falecido, o estágio em que estava o relacionamento no momento em que  a morte o interrompeu.
Processar todos esses fatores e conciliar com eles é árduo, infinitamente dolorido e demorado. E é também normal: em tese, cada um de nós enfrentou ou enfrentará o luto em algum momento da vida. O luto só requer alguma intervenção quando passando entre um e dois anos, o enlutado mantém comportamento como preservar o lugar de quem morreu à mesa, falar do falecido no presente ou conservar intactos seus objetos pessoais.  Trata-se do chamado luto complicado, que acomete apenas uma minoria, mas é tão profundo e real que é possível vê-lo acontecendo no cérebro por meio de ressonância magnética: além das razões associadas ao sofrer, ele faz “acender” áreas legadas à recompensa quando o enlutado olha a foto de um ente querido – tal é a força com que anseia por ele. “È preocupante quando a morte passa a ocupar um lugar maior do que a vida e a pessoa  entende que parar de sofrer é ser desleal com o morto”, diz a terapeuta de família Renata Machado, especialista em luto.
O luto, assim, é necessariamente um processo solitário. Mas não é recomendável que se desenrole em solidão. Qualquer cultura ou sociedade, de qualquer tempo, tem algum rito coletivo associado ao luto, no qual as pessoas próximas cercam o enlutado no período inicial de sua dor, amparam-no e assim também prestam seu reconhecimento da importância da pessoa que se foi. Grandes funerais públicos, como do presidente Kennedy ou da princesa Diana são rituais elaborados, que ajudam a galvanizar os sentimentos e, marcando assim seu clímax, apazigua-los.
Mas pequenas tradições íntimas como o shiva e o shloshim judaicos , em que parentes e amigos se plantam na casa do enlutado, têm também significado imensurável. Tinha-o, também, o uso de trajes negros, que remonta pelo menos até a antiguidade romana, e que a Inglaterra da rainha Vitória, viúva inconformada de seu príncipe Albert, elevou a paroxismos de complexidade: a morte estava prevista no tecido da vida, assim como sua dor. Ambas eram fato  público e evento coletivo.
 Hoje, porém, a maioria desses ritos desapareceu ou se abreviou. E, na impessoal e apressada vida moderna, com tantas preconizações sobre o que é “certo” ou “errado” no luto, em geral não se faz o principal: simplesmente estar ali, por quanto tempo se faça necessário.


Quando vemos uma tragédia na TV nos comovemos. O terremoto no Haiti foi desesperador. Muitos corpos sepultados sob escombros, muitas crianças ficaram sem pais e muitos pais perderam os filhos. Muitos perderam tudo: a casa, a família e a dignidade de viver bem. Hoje, passado mais de um ano do acontecimento, a grande maioria vaga pela cidade se lugar certo para morar. Não existe rede de esgotos.
As pessoas lavam as roupas e tomam banho na água do esgoto. E é com ela que fazem sopa de raízes para se alimentar.
Triste não? Para nós é fácil. Basta desligar a TV e não ver as tragédias. Alguns nem sabem mais dizer quando ocorreu esse terremoto. Há milhares de pessoas que perderam a família e até hoje choram seus parentes. Como sair desse luto acompanhado de miséria?

A região serrana do Rio ainda abriga restos de corpos sob as casas. Mais luto, mais perda.  Aqui em Minas, em Bandeira do Sul, próximo à Poços de Caldas pelo menos umas 15 pessoas morreram eletrocutadas em  cima de um trio elétrico. Mais luto e mais perdas...

O ser humano é o único que sabe que vai morrer e tem certeza de que um dia vai morrer. E não sabe como aceitar a morte...
Confesso que  não tenho medo de morrer, mas não sei aceitar a morte de quem amo.
Temos muito que aprender. Tem que haver muita fé, acreditar em uma vida após a morte, talvez...
Ou  acreditar como os ateus, que a certeza é morrer e ponto final!
Só sei que nada sei... Que é difícil acreditar nesse horrível ponto final.
José Saramago, grande escritor português que morreu em 2010 era ateu mas não gostava de ponto final. Preferia as vírgulas e reticências. Tinha um interessante conceito de morte.

Segundo ele, “a morte seria o nada dissolvido em átomos”.