O 233 insiste que as mãos de parafina ( do livro "O Trabalho dos Mortos" ) foram feitas colocando-se água em luvas e depois mergulhando-as em água. Será? Parece que essas mãos de parafina (as do livro) tinham até impressões digitais.
Não pensem que sou antiespírita. Sou apenas alguém que gosta de pesquisar sobre o Espiritismo. Afinal, se Espíritos existem, quero a prova de sua existência, e não quero saber de fraudes. Portanto, acho interessante que leiam o texto abaixo sobre mãos de parafina.
Moldes em parafina: materialização de espíritos?
A febre espiritualista contava com muitos feitos de
espíritos durante sessões mediúnicas, e as mais impressionantes certamente
deveriam ser as ‘materializações’. E dentre as materializações, as que
permanecem gerando questionamentos até hoje são os moldes de parafina.
Alguém teve a idéia genial de que, enquanto o espírito
estava materializado, poderia colocar alguma parte de seu corpo em contato com
parafina derretida, que ao se solidificar formaria um molde permanente mesmo
que o espírito acabasse se desmaterializando. Mais do que isso, como alguns
moldes, por exemplo o de uma mão, teriam partes mais estreitas como o pulso,
então apenas um espírito poderia originá-los. Acreditava-se impossível a uma pessoa retirar a mão de um
molde de parafina sem danificá-lo, somente um espírito se materializando e
depois se desmaterializando com a mão dentro da parafina poderia criar moldes
dessa natureza. O problema seria similar ao de retirar um navio pronto de
dentro de uma garrafa.
Na foto você confere uma cópia em gesso criada a partir de
um molde de parafina mediúnico. O nível de detalhamento é notável, a disposição
intercalada dos dedos intrigante e o pulso é de fato um tanto mais estreito.
Será mesmo que apenas um espírito poderia criar algo assim? Essa é então a mão
de um espírito?
Além de parecer uma evidência física interessante por si
mesma, o fenômeno teria sido analisado por diversos pesquisadores, entre eles
Gustave Geley. As investigações de Geley feitas com o médium Franek Kluski
foram divulgadas na Scientific American, que na época era parte relevante da
discussão dos feitos mediúnicos. Contudo, nenhum destes investigadores
conseguiu fornecer uma explicação convencional para os moldes de parafina mais
perfeitos. Mais do que isso, alguns declararam que a única conclusão a que podiam chegar é que de
fato foram espíritos a ter criado os moldes, que constituíam assim uma das
maiores provas físicas de sua existência.
A realidade é muito irônica e ingrata com tais
investigadores. Diversas explicações
complexas foram propostas para reproduzir os moldes de parafina, incluindo:
- luvas de borracha reproduzindo de forma perfeita uma mão,
sendo infladas e desinfladas;
- moldes de mãos cuidadosamente esculpidos feitos em
material solúvel que, depois de formar o molde em parafina, eram dissolvidos;
- mãos inchadas com torniquetes formando moldes e depois
desinchadas, permitindo sua retirada.
A explicação racional
convincente é a mais simples, segundo Maximo Polidoro e Luigi Garlaschelli. Em
um artigo publicado no Journal of the Society for Psychical
Research, eles citam uma explicação já apontada por M.H. Coleman pouco
antes como plenamente satisfatória.
Essa explicação é simplesmente colocar a mão diretamente na
parafina e retirar o molde com cuidado. Ao contrário do muito repetido, o molde
não irá se quebrar: a parafina ainda não completamente solidificada é
surpreendentemente flexível. Abaixo você pode ver a comparação de uma mão
supostamente mediúnica, à esquerda, ao lado de uma criada por um molde de
Polidoro e Garlaschelli, produzido colocando a mão em parafina derretida e
retirando o molde cuidadosamente.
Não há diferenças significativas, e a mão dos pesquisadores
italianos é mais perfeita.
Há mais um ponto nesta história. Como se não bastasse que
todos os investigadores do passado tenham deixado passar que da forma mais
simples possível os enigmáticos moldes de parafina poderiam ser feitos, a
história ainda parece tripudiar sobre eles. Isto porque moldes de mãos em
parafinas se tornaram hoje uma atração para crianças!
Ao lado você vê uma “wax hand”, uma mão de parafina que pode
ser feita em estandes ou em carrinhos em parques (EUA) por alguns minutos e dólares.
Clicando no link abaixo você vai à página que aluga o carrinho apropriado para que
as mãos de parafina sejam feitas. No carrinho, não há nada de mais: apenas
parafina mantida derretida por resistências e termostatos.
Pede-se que a pessoa coloque a mão na parafina alguma vezes,
e depois retire com cuidado o molde. Qualquer pessoa pode fazer isto, como se
vê ao lado, no carrinho vendido por outra empresa. Uma busca por wax hands no
Google revela a extensão com que esta atividade está espalhada no EUA e no Brasil:
http://www.licensingbrasil.com/noticias_int.php?new_id=130&edicao_id=7
E é assim que a história acaba sendo ingrata e até mesmo
humilhante com aqueles que, no passado, atraveram-se a proferir conclusões
precipitadas em favor de fenômenos inexplicados. Como disse Michael Shermer, o
inexplicado não é necessariamente inexplicável.
Um ponto a favor deles: até mesmo Harry Houdini parece ter
sido enganado, e se não declarou que os moldes em parafina eram prova de
espíritos, também não parece ter conseguido reproduzi-los.
Sonia Araújo