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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Porque nois é cabessa de proromgo?

O Estado de São Paulo


Sempre se soube que um dos principais entraves ao crescimento do Brasil é o gargalo educacional. Novas pesquisas, porém, revelam que o problema é muito mais grave do que se supunha. A mais recente, elaborada pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, mostrou que 38% dos estudantes do ensino superior no País simplesmente "não dominam habilidades básicas de leitura e escrita".


O Indicador de Analfabetismo Funcional, que resulta desse trabalho, não mede capacidades complexas. Ele é obtido a partir de perguntas relacionadas ao cotidiano dos estudantes, como o cálculo do desconto em uma compra ou o trajeto de um ônibus. Mesmo assim, 38% dos pesquisados não atingiram o nível considerado "pleno" de alfabetização, isto é, não conseguem entender o que leem nem fazer associações com as informações que recebem.

Para os autores da pesquisa, resumida pelo Estado (16/7), os resultados indicam que o notável aumento da escolarização verificado nas últimas décadas ainda não se traduz em desempenho minimamente satisfatório em habilidades básicas, como ler e escrever, e isso num ambiente em que essas etapas do aprendizado já deveriam ter sido plenamente superadas, isto é, nas universidades.

A "popularização" do ensino superior, com a abertura indiscriminada de faculdades ávidas por explorar um público de baixa escolaridade - que não consegue ingresso nas universidades de prestígio, mas sabe que o diploma é uma espécie de "passaporte" para melhorar o salário -, é vista como um dos fatores principais do fenômeno. Essas escolas, concluem os especialistas, se adaptaram confortavelmente a um mercado consolidado, e só reagirão diante da exigência sistemática por melhor qualidade, que deve vir do governo e dos próprios alunos.

No entanto, o tempo para a reversão desse quadro é curto. O sentido de urgência se dá diante do desafio de colocar o Brasil entre os países mais competitivos do mundo, ante o encolhimento dos mercados por conta da crise. A situação de semianalfabetismo nos campi brasileiros - que contraria o discurso populista da presidente Dilma Rousseff segundo o qual seu governo, como o anterior, cuida mais dos jovens do que do PIB - talvez seja o indicador mais importante para medir o tamanho do fosso que nos separa do mundo desenvolvido.

Em primeiro lugar, a indigência intelectual compromete os projetos de aperfeiçoamento profissional, por mais bem-intencionados que sejam. Não se pode esperar que egressos de faculdades sem nenhuma qualificação possam acompanhar as mudanças tecnológicas e científicas cujo desenvolvimento é precisamente o que determina a diferença entre países ricos e pobres. A China, por exemplo, já entendeu que sua passagem de "emergente" para "desenvolvida" não pode prescindir da qualificação de seus trabalhadores, como mostrou José Pastore, em artigo no Estado (16/7).

Os chineses, diz Pastore, têm investido pesadamente no ensino superior, cujas matrículas foram multiplicadas por seis nos últimos dez anos. Agora, quase 20% dos jovens em idade universitária estão no ensino superior na China, enquanto no Brasil não passam de 10%. Ademais, a China demonstra há décadas um vivo interesse em enviar estudantes ao exterior, para uma preciosa troca de informações que encurta o caminho do país na direção do domínio técnico essencial a seu desenvolvimento. Só em 2008, diz Pastore, os chineses mandaram 180 mil estudantes para as melhores universidades do mundo, volume que se mantém ano a ano. O Brasil apenas iniciou o Programa Ciência Sem Fronteira, que pretende enviar 110 mil estudantes nos próximos anos.

O impacto do investimento chinês em educação aparece no cenário segundo o qual quase metade do extraordinário crescimento econômico do país resulta desse esforço de qualificação. Assim, se o Brasil tem alguma pretensão de competir com o gigante chinês, ou mesmo com países emergentes menos pujantes, o primeiro passo talvez seja admitir que é inaceitável entregar diplomas universitários a quem seria reconhecido como analfabeto em qualquer lugar do mundo civilizado.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Como funciona o tráfico de drogas?

Eu sei bem pouco sobre drogas. Não conheço ninguém que consuma ou que venda drogas, o que não é o caso do professor Andros do fórum UOL e Terra. Naquela época, ele intimidava todo mundo do fórum com a pena de morte com uma corda bem apertada no pescoço, a tese dele era que ninguém no fórum era temente de Deus, mas sim tudo maconheiro ou vivendo de renda por vender maconha. As drogas, eu as vejo através da janela do Estadão. O que o Estadão chama de cracolândia, eu chamo de Estação da Luz.

Uma vez estava vendo a TV Folha de S Paulo na Cultura, e eles mostraram um belo laboratório em Brasília cheio de tubos de ensaio com vários líquidos movimentados numa centrifugadora. O entrevistado comentou que através da química foi possível descobrir que a droga vendida em vários estados brasileiros vieram de uma única fonte, um país vizinho. Ou seja, pela entrevista percebi que a droga não é fabricada no Brasil.

Eu também não sei se o açúcar é fabricado no Brasil, mas eu consigo comprá-lo sem precisar pagar na hora, utilizando o cartão do crédito, já as drogas, eu presumo que tudo tem que ser em dinheiro. Existem apenas duas formas de você ter dinheiro, ou você rouba ou você trabalha. Logo, o consumidor de drogas é alguém que trabalha e que convive conosco no dia a dia. Quem rouba não consome drogas pois não tem tempo, vive sempre fugindo da polícia.

Como saber se o Adilson é viciado em maconha? Que o professor não gostava do Adilson, todo mundo sabia, mas chamá-lo de maconheiro, isso é outra história. Será que o professor fez uma cópia do texto do Adilson e levou no laboratório de Brasília? Enfim, eu também não sei nada de química.

Mas se a tese da Polícia de Brasília está correta, como é que o fabricante de drogas vai aproveitar o dinheiro brasileiro no seu país de origem? Eu presumo que o dinheiro brasileiro valha pouco aqui, e menos ainda lá fora. Até onde eu sei, o Real não é uma moeda internacional, ou é, e eu não sei nada sobre economia.

Nesse contexto, faz sentido a tese do Dr Esio Lopes, que as igrejas são uma fachada para a "lavagem de dinheiro", ou seja, o varejista de drogas precisa girar o capital, pagando o fornecedor uma nova remessa, através de moeda internacional, e camufla tudo, subornando padres e pastores que conseguem converter o pseudo dízimo em moeda estrangeira, e o Banco do Brasil não tem a menor chance de fazer um teste de laboratório com o fluxo de capital que acontece todo dia nas transações entre computadores. Claro que não vai adiantar a Dilma implantar o dizimo eletrônico, onde o dizimista será obrigado a fornecer o CPF na hora de pagar o dízimo, nesse caso, todo varejista de drogas vai usar o CPF do Andros.

Logo, o lado bom da crise econômica está aí. O fluxo de capitais vai parar, muitas empresas vão fechar, e como não é possível tributar um capitalista falido, só restará ao governo tributar a saída do dinheiro do país, não importa se é dizimo ou tem privilégios fiscais. Como no caso da exclusão do Paraguai do Mercosul, na hora do desespero, todo mundo manda às favas os procedimentos jurídicos que foram assinados no passado. E, do outro lado do país, quem planta maconha vai começar a plantar batata, pois a tributação brasileira é a mais alta do que qualquer país já desenvolvido ou em desenvolvimento. O lado ruim da crise econômica é que é possível viver sem as drogas, mas viver sem açúcar é complicado. Alguém aí sabe como tirar o açúcar de um pé de cana?

domingo, 15 de julho de 2012

Salve-se quem puder

O Estado de S Paulo


No Estado de segunda-feira, sob o título A mãe de todas as eleições, nosso colunista José Roberto de Toledo analisa a importância dos pleitos municipais, como o que se realizará em outubro em todo o País, para a sobrevivência e fortalecimento dos partidos políticos, uma vez que "não há partido grande sem base municipal". De fato, o pesquisador demonstra, com base em dados estatísticos, que "sem vereadores é difícil eleger prefeitos, e, sem prefeitos, não se elegem deputados federais", e "há uma correlação estatística quase perfeita entre a quantidade de votos para prefeito que um partido recebe e o número de representantes que a mesma sigla elege dois anos depois para a Câmara dos Deputados".

Outra informação importante contida no texto sugere alguma reflexão: mais de 400 mil pessoas deverão disputar em outubro uma vaga de vereador nos 5.566 municípios dos 26 Estados da Federação. É um número expressivo, equivalente à população de São José do Rio Preto, um dos mais importantes municípios paulistas, mas não chega a ser fora de propósito, considerando que estarão em disputa quase 60 mil vagas, ou seja, serão, na média nacional, cerca de 7 candidatos por vaga.

Partindo do princípio de que democracia se faz com participação popular nas decisões que dizem respeito ao interesse coletivo, é uma boa notícia, de qualquer modo, saber que tanta gente está interessada em chegar ou manter-se nas Câmaras Municipais. Resta saber o que efetivamente move essas pessoas a candidatar-se à vereança e o que delas se pode esperar como representantes do povo. Infelizmente, não há razão para prognósticos animadores.

A representação popular é uma instituição que coloca cidadãos a serviço da coletividade. Essa é a teoria. Na prática, o patrimonialismo historicamente dominante na política brasileira, que vê na gestão da coisa pública mero instrumento de acumulação de riqueza privada, transformou a percepção que a maioria das pessoas têm do verdadeiro significado de serviço público. Para começar, mandatários executivos ou legislativos não costumam se imaginar nem se comportar como servidores públicos, condição que certamente consideram, do alto de sua "autoridade" e "liderança", uma abominável capitis diminutio - mesmo que a maioria dessa gente não tenha a menor ideia do que isso quer dizer. Na verdade, o que pretende é conquistar poder para servir-se dele. O que fará impunemente, sob a proteção e o estímulo de leis e regulamentos que ela mesma inventa e da inconsciência, ignorância e conformismo daqueles que a elegeram. O prezado leitor lembra, por acaso, em quem votou há menos de dois anos para senador, deputado federal e deputado estadual? Não chega a ser surpreendente, por tudo isso, que nosso voto em outubro próximo seja disputado, na grande maioria dos casos, por quem deseja apenas se dar bem na vida.

É claro que na raiz da despolitização da representação popular no Brasil está a falta de competência - quando não a deliberada intenção - dos governantes para qualificar, por meio da educação, o voto da massa eleitora do País. E não há de ser por outra razão que se mantêm intocáveis a estrutura partidária e o sistema eleitoral que viabilizam o acesso ao poder daqueles que dele só ambicionam se servir.

O Brasil tem hoje nada menos do que 30 partidos políticos registrados e em pleno funcionamento, mamando o dinheiro do contribuinte depositado no Fundo Partidário. Mais 20 partidos se preparam para tomar parte do butim democrático. Se durante a ditadura militar o País conheceu a imposição de um bipartidarismo feito sob medida para dar contornos de democracia a um regime autocrático, hoje está mergulhado na farra partidária que deforma o regime democrático em que vivemos, dando-lhe contornos de ditadura da pilantragem.

O recente vale-tudo na conquista de minutos de propaganda eleitoral gratuita, estarrecedor para quem entende que política se faz, sim, com alianças, mas também com um mínimo de coerência e brio - melhor, vergonha na cara -, é a demonstração mais evidente de que, infelizmente, o que está aí pretende ficar por muito tempo. Então, salve-se quem puder atrás de uma vaguinha de vereador.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Alvará de funcionamento

Essa foi a semana de ir para a Prefeitura, solicitar a revalidação do Alvará de Funcionamento. Ontem, peguei um táxi para percorrer cinco quilômetros, custou R$ 12,00. Dá para ir à pé, o problema é que o atendimento da Prefeitura de Diadema fica no alto de uma colina. Essa é uma rotina que faço há dois anos, e sempre que apresento a papelada, alguma coisa muda. Sempre levei um requerimento montado num computador, dessa vez a moça esfregou um requerimento que deveria ser preenchida à mão.

Hoje, fui de novo à Prefeitura, com o requerimento preenchida à mão. Só que foi outra atendente que pegou a papelada e disse que eu esqueci da cópia da Vistoria do Corpo de Bombeiros. Tentei retrucar "mas aqui na relação diz que é para eu trazer a Vistoria e não a cópia dela". "Acontece que - respondeu a atendente - aqui na Prefeitura não ficamos com o documento original, ficamos só com a cópia".

Ela me passou um guia de recolhimento e disse "depois de você passar no banco, vá ali naquele mercadinho, e tire uma xerox da Vistoria dos Bombeiros". Eu agradeci pela orientação, e fiquei lembrando que há dois anos a Prefeitura tinha uma máquina de xerox. Os tempos estão ficando difíceis, ainda bem que pelo menos a impressora que emite a guia de recolhimento ainda funciona...

Entrei no mercadinho do outro lado da esquina. Ele é bem simples mesmo, com quatro prateleiras cheio de salgadinhos num canto, lá no fundo havia um senhor fazendo o café num dessas cafeteiras portáteis que a gente usa em casa, só que a dele é a menor que vi em toda minha vida, acho que só dá para esquentar dois copos de 180 ml.

Pedi o xerox, e perguntei "quem tira xerox aqui tem direito a um cafezinho?" E ele me arranjou um copinho de plástico. Perguntei "quanto é?" E ele me respondeu "R$ 0,20". "Mas, com o cafezinho, quanto é?" "Ah sim, isso tudo dá R$ 0,50" "Tem troco para R$ 20,00?" e aí aquele senhor olhou para um canto e olhou para outro canto.

Então decidi procurar algo na prateleira, e lá encontrei duas barras de Prestígio a R$ 1,30 cada. "Pronto, agora o Sr tem troco?". "Sim, tenho sim, bom, deixa eu ver, R$ 2,60 mais R$ 0,50 dá R$ 3,10, e aqui eu tenho R$ 16,00". "Tá bom... Tá bom... deixa o resto no caixa!"

Voltando à Prefeitura, peguei a senha do retorno, e fui prontamente chamado. Era uma outra atendente, ela me devolveu o xerox do RG e do CPF de quem assinou que a primeira atendente me pediu mas que não encontrei na relação dos documentos. Mas, não falei nada, pois a rotina na Prefeitura é sempre assim, cada um inventa um procedimento diferente do outro, mas fiquei bastante aliviado ao receber o protocolo. Claro que o protocolo não é garantia de que o Alvará será revalidado, mas já é meio caminho andado.

E, de noite, vendo o Jornal Nacional, eles fizeram uma chamada para a próxima matéria: "Dilma disse que não se mede uma Nação através do PIB". Eu não vi a matéria, mas eu concordo com a Dilma. Lembrando o caso do Alvará, acho que você mede uma Nação através do número de orientações diferentes que você recebe para o mesmo problema, acho que a melhor pessoa para falar sobre isso é Senhorita LG, quando o assunto é vírus.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Tripitaka 205

Leiam um texto do sr.William,e um texto meu do ano passado.(o meu está no espaço da  réplica)
Vejam uma teoria minha pensada,nessa data,e à  qual desde então,vou fazendo meus acréscimos.
Oxalá alguém aprecie minha ingênua psicanálise.
Das crônicas do sr.  "Vizinho" (é como eu chamo ele) todos gostam.
O registrado,foi um dia de bela polêmica.
Um bom momento,que desejo ver reprisado aqui.

Boa leitura aos que se aventurarem nesses textos.

http://filosofiamatematica.blog.terra.com.br/2011/06/03/ser-igual-a-deus/

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A felicidade e o ateísmo

O ateísmo tem as suas evidentes vantagens, a melhor delas é que você não precisa pagar o dizimo, não precisa ir à missa todo santo domingo, não precisa ler a Bíblia, não precisa carregar nenhuma imagem, não precisa participar de nenhuma procissão mesmo que faça muita seca nos pampas ou muita chuva em Porto Alegre.

Enfim, o único compromisso do ateu com o mundo é a busca da verdade socialmente aceitável. Por exemplo, todo ateu aceita sem questionar ninguém aquele que ganha na loteria, ou seja, essa é a primeira regra do ateísmo: tudo o que pode acontecer, vai acontecer.

Por exemplo, se Spilberg é capaz de filmar o homem pisando na Lua, certamente que será possível ver esse filme no cinema.

E aqui o ateísmo divide a humanidade em duas classes intelectuais, aqueles que acreditam no que é projetado na tela, jocosamente chamados de porongos, e aqueles que tentam entender como Spilberg consegue ludibriar as pessoas com o fundo azul, um computador, atores de quinta categoria e roteiristas do jardim de infância, eles são ovacionados como "os epistemólogos da Verdade".

O ateu mais famoso desse blogue é o Sr MB. Ele usa o famoso método da tentativa e erro para tentar induzir os participantes daqui a apoiar a pena de morte, que existe uma doença mental chamada fake, que o Hosaka não passa de pé de chinelo, e tudo através de textos intercalados entre os comentários, com menos de dois parágrafos, trabalhando com a clássica tese de que todo porongo tem uma baita preguiça de ler e pensar.

Enfim, a felicidade do ateu é que ele também é capaz de fantasiar. A minha fantasia é de que Santa Tereza sempre vai ajudar o Norton a proteger dos vírus de computador, a fantasia do Adilson é de que Jesus irá ressuscitar os seus cabelos que lho abandonaram há muito tempo, a fantasia da Doutora Sônia é de que todo balconista faça pós-graduação no Sebrae e trate os clientes com um mínimo de respeito que o Código do Consumidor exige, a fantasia do Historiador é de querer ludibriar a todos daqui usando uma vez ou outra a assinatura do Sr MB.

A fantasia do Sr MB é acabar com a minha passoca, forçando-me a fazer o que todo católico faz, quando a passoca acaba, o de baixar a barraca, chutar o balde, e coisas do gênero. Se ele vai conseguir, eu não sei, pois eu sou apenas um porongo.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A religiosidade no início do Brasil

Por ocasião do descobrimento do Brasil em 1500, Pero Vaz de Caminha menciona em sua Carta a religiosidade do povo português e o potencial que ele vislumbrou nessa terra-de-papagaios. A sociedade colonial brasileira é fruto de miscigenação entre brancos, negros e índios, retratada detalhadamente por Freyre(1980).

Pode-se dizer que o entusiasmo religioso  foi o primeiro a inflamar-se no Brasil diante das possibilidades só depois entrevistas pelo interesse econômico. Colônia fundada quase sem vontade, com um sobejo apenas de homens, estilhaços do bloco de gente nobre que só faltou ir inteira do reino para as índias, o Brasil foi por algum tempo a Nazaré das colônias portuguesas. Sem ouro nem prata. Somente pau-de-tinta e almas para Jesus Cristo.


O colonizador português trouxe diferentes contribuições para a cultura como alguns valores materiais: a telha mourisca, a janela quadriculada ou em xadrez, a gelosia, as paredes grossas, o gosto pelas comidas oleosas, ricas em açúcar. A arte do azulejo tem uma relação íntima com a higiene doméstica, deixando o ambiente limpo e claro, embora a história registre um descuido com a higiene do corpo e do vestuário.




Em contraste com tudo isso é que surpreendeu aos primeiros portugueses e franceses chegados nesta parte da América  um povo ao que parece sem mancha de sífilis na pele, e cuja maior delícia era o banho de rio. Que se lavava constantemente da cabeça aos pés, que se conservava em asseada nudez, que fazia o uso de folhas e árvores como os europeus mais limpos de toalhas de enxugar as mãos e de panos de limpar menino novo, que ia lavar no rio a sua roupa suja, isto é, as redes de algodão - trabalho esse a a cargo dos homens.


A contribuição religiosa imbuída de cristianismo  lírico e festivo  aparece fortemente presente, seja no culto ao Menino Jesus, a Virgem, aos Santos, chagando aos que Freyre (1980) chama de intimidade entre o devoto e o santo. Nas procissões esses santos   eram carregados como se fossem  grandes chefes vitoriosos de guerras.  A  imagem de Nossa Senhora do Parto  era colocada na cama da parturiente para ajudar na hora do nascimento e a Santa tornava-se madrinha da criança.
As crônicas coloniais referem-se à festa de São João  com uma das primeiras festas populares já com fogueiras e danças e crendices, considerando o grande santo casamenteiro." Dai-me noivo São João, dai-me noivo, dai-me noivo, que eu quero casar."


Santo Antônio era o protetor dos amores perdidos, noivos, maridos ou amantes desaparecido. Para soluções rápidas, frequentemente sua imagem  era encontrada de cabeça para baixo dentro da cacimba, do poço ou de urinóis velhos. São Gonçalo do Amarante, era considerado como o que tinha o poder de arrumar marido para as velhas e a São Pedro, o casamento de viúvas. "Casai-me, casai-me, São Gonçalinho. Que hei de rezar-vos. Amigo santinho". 



A devoção aos santos estava muito presente nos processos de doença e cura, e, curiosamente, havia especialidades para cada santo.


N. S. Bom Despacho.........................................Protetora das Noivas
N. S. Conceição ...............................................  Conceber filhos Sadios
N. S. do Ó .......................................................    Gestantes da última semana
N. S. dos Navegantes ....................................... Viagens no mar e rios
Nossa Senhora .................................................   Para tudo
N. S. do Bom Parto e Stª Margarida   ..............  Parturientes
Santa Ágata .....................................................  Males Pulmonares
Santa Apolônia ................................................. Dores de dente
Santa Luzia e Santa Odília .................................. Afecções Pulmonares
Santo Amaro ................................................... Ulcerações e mutilações
São Bartolomeu e São Ciríaco ......................... Afecções Nervosas
São Benedito....................................................  Mordeduras de cobra
São Brás ..........................................................  Engasgo e garganta
São Erasmo ..................................................... Cólicas Abdominais
São Geraldo .................................................... Tuberculose
São Judas Tadeu............................................... Clínico geral
São Lázaro ...................................................... Lepra
São Libório ...................................................... Calculose urinária
São Lucas ........................................................ Médicos
São Miguel ...................................................... Câncer e Tumores
São Roque e São Sebastião ............................ Peste
São Tarcísio .................................................... Meninos
São Tomé ....................................................... Verminose




 Retirado e adaptado de:
"Da arte de contar histórias pelas trilhas da saúde"
Artigo de Dra Laura Helena  Martins (C. dentista)
Jornal do CROMG - Mai/Jun 2012 





Sonia A.