quarta-feira, 21 de março de 2012

Retalhos de uma amizade

Numa das tardes de verão de 1982, tentei escrever sobre o desentendimento que havia entre mim e a princesa. Ela me pediu para separar alguns retalhos de tecido para que ela pudesse passar para uma família pobre, mas eu não atendi ao pedido dela, o que deixou a princesa bastante contrariada, e ela me privou de seus sorrisos por um bom tempo, o que me deixou contrariado.

Era mais uma crônica inacabada, não sabia por onde começar e por onde continuar. Depois dela, escrevi outras crônicas também na mesma situação. Que eu não consegui conquistar a princesa, isso eu consegui e consigo conviver. O que não conformo é com essa dificuldade que eu tenho de montar uma crônica.

Foi na Paróquia de Santa Tereza que ouvi a clássica frase de que a liberdade vem, quando buscamos a Verdade, e ela está bem diante do nosso nariz. Encará-la, isso já é outro problema. Botar no papel é pior ainda.

Enfim, encontrei na Internet um enorme papel de rascunho para falar da minha Verdade, o de que sou um fracassado, que não consegui conquistar a princesa por não ter conseguido valorizá-la tanto quanto gostava dela. Gostar é super fácil, valorizar a pessoa amada, isso já é bem complicado. Eu me enrolei todo, meti os pés pelas mãos, e perdi a minha única oportunidade de fazer do meu sonho um momento real da minha existência. Enfim, eu sou um Nada.

Mas, para a minha surpresa, encontrei pessoas que detestam as coisas que eu escrevo, e faz questão de perder o seu tempo, e questionam na coluna dos comentário a quanto anda a ardência do meu orgulho, e desse lado finjo que não li o comentário, assim como eu fiz com o pedido da princesa.

O correto é deixar a Internet de lado, abrindo espaço para aqueles que podem contribuir para melhorar a qualidade da comunicação, mas depois de quase vinte anos escrevendo só porcaria, eu não sei como parar. Essa é a minha triste realidade, alguém que conheceu uma princesa que valorizava mais os retalhos do que a mim. Assim, agradeço pelo tempo que o Anônimo dos Pampas vem perdendo comigo, comentando os meus textos. É uma pena que não posso prometer que escreverei melhor, porque eu não tenho a menor ideia de como fazer isso, mas pelo menos posso pedir desculpas, como eu fiz várias e várias vezes com a Princesa, até conseguir um sorriso, não é muito, mas é bem mais do que eu mereço.

9 comentários:

  1. “Enfim, encontrei na Internet um enorme papel de rascunho para falar da minha Verdade, o de que sou um fracassado, que não consegui conquistar a princesa por não ter conseguido valorizá-la tanto quanto gostava dela. Gostar é super fácil, valorizar a pessoa amada, isso já é bem complicado. Eu me enrolei todo, meti os pés pelas mãos, e perdi a minha única oportunidade de fazer do meu sonho um momento real da minha existência.” [Frank]
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    Que nada Frank, uma mulher não deixa de amar um homem por conta de uma bobagem destas. O Amor é algo que acontece e o amor da princesa por você simplesmente não aconteceu.
    Não é culpa dela nem sua.
    Lembrei agora de certa vez que respirando muito fundo e tomando toda a coragem do mundo peguei na mão de uma garota e tentei abraça-la, ela se afastou rapidamente, disse que era da igreja e as coisas com ela não eram tão fáceis assim.
    Fiquei remoendo e lamentando meu “atrevimento”, perdi minha grande chance de conquista-la.
    Poucos dias depois andando pelas ruas do Taquaral vi a garota em pleno meio dia dando o maior malho no meu colega Vicente... HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!
    A “facilidade” para o Vicente aconteceu...
    Ainda bem que você não desperdiçou seus retalhos! Não iria fazer diferença.

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  2. Encrenca 786,amor e literaturaquinta-feira, março 22, 2012 8:13:00 AM

    Sr.Hosaka,eu já escrevia "textos inspirados" desde 1.976.
    Minhas poesias de amor,eram esquisitas(por serem sexualizadas),e o Príncipe nunca as viu.
    Também,minhas cartas para ele,nunca foram enviadas.
    As poesias,pude reescrever,e começar a publicar.
    As cartas de amor, vão ser jogadas fora.
    São irrecuperáveis.
    Sequer são ridículas,como todas as cartas de amor.
    Nelas,eu choro sem parar,porque vi ele chorando uma vez.
    Assumi o fracasso dele,numa "história" daquele tempo,como meu fracasso.

    Atualmente,dou meus "pitacos" na web.
    Por esses dias, fui expulsa de um blog vizinho nosso, e taxada de "inimiga da Educação no Brasil".
    Nada mal para quem um dia,não conseguiu se expor a algumas críticas.

    Amores vêm,amores vão.
    Pensamos que eles são eternos.
    Eterna,é a imaginação-
    Até ela,um dia,cairá no esquecimento.

    -srta Nihil

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  3. Hosaka, vc escreve muito bem, tenha certeza disso. Quanto a princesa, acho que a fila já andou faz tempo e vc não se deu conta... Esquece essa princesa e procura outra.
    Você está endeusando essa moça, assim como as pessoas costumam endeusar atrizes de cinema. Ela é uma mulher comum como outra qualquer...
    Procure outra. Buscai e achareis... rsrs!
    Abs.

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  4. 0 mais que ardido Hosaka precisa parar de acreditar que o sacizão pernetão foi à Lua, hehehe

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  5. Olá, Sr MB,

    É comovente a sua postura de não largar o pé do Saci, mas acredito que esse texto que escrevi é mais profundo do que parece. Fala basicamente da ardência do orgulho, de como um sorriso de uma bela loira e de olhos azuis marcou o resto da minha vida.

    No tempo do Terra, o professor Milton Bins defendia a tese de que tudo não passa de ressentimento, e que nenhuma religião é capaz de dissolvê-lo. Temos essa coisa que se chama vingança e para proteger as pessoas que não queremos machucar é que acabamos engolindo religião ou ideologia, camuflando os nossos problemas com esperanças dificeis de descrever como a paz, a vida eterna e o amor, ou no caso do ateísmo, o merecido esquecimento.

    O catolicismo não é nada fácil, ao contrário de outras crenças, o catolicismo se distingue pelo seu excesso de formalismo, a começar pela hierarquia de sua organização. É impressionante como uma das igrejas que tem como um de seus pilares a doutrina cristã valoriza (e como) o ouro, a prata e a mirra, ao invés do menino da mangedoura. O Adilson está certo, ao denunciar o catolicismo que valoriza a imagem muito mais que o autor da Luz.

    Mas o dilema que o catolicismo vive é bem antigo. Sempre tentei formalizar o que sinto pela princesa através de um pedido de casamento. O William é espírita, mas gosta de formalizar o amor através de um abraço. A Srta Nihil é budista, mas gosta de formalizar o que sentiu no passado reescrevendo no presente o que ela já escreveu. O problema da Nihil é fácil de resolver, é só ela procurar no Google um bom professor de caligrafia, de forma que o princípe consiga ler o que ela escreveu, ou que pelo menos ela consiga entender o que ela escreve.

    Eu não. Eu encontrei a igreja ideal. A Igreja Católica tem problemas que se arrastam por dois milênios, e ela não sabe como resolver, senão ajoelhando e pedindo indefinidamente perdão a Deus (não adianta pedir perdão aos concorrentes, que nenhum deles é capaz de nos perdoar, senão Deus). Esse é o grande legado da princesa, ela abriu a maior porta do caminho mais curto da Salvação. Eu sou feliz nas missas, lá eu me sinto tranquilo ao saber que não serei o único a queimar naquele lago que arde e cheira enxofre.

    Uma boa noite ao Sr, Sr MB.

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  6. Meu problema não era de caligrafia,sr.Hosaka,mas de dissertação.(hohohó!)

    E acredite,minha história foi equivalente.
    Meu heroizinho do passado,me socializou para estar numa religião.
    Eu quis ..."ficar perfeita para ele".
    Eu vou "melhorar".
    Não será para ele mais.
    Será para eu,para o tempo,para o destino.
    Será para "o bem de todos",e em benefício do saci-pererê também.
    (hehehe...)

    "Lá vai o saci pererê pulando numa perna só
    chora chora ninguém tem dó".
    -Boca Livre(banda de rock brasileiro antigo)

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  7. Hosaka, seja ateu e não pato! Religião é, junto com a política, um instrumento de exploração e dominação! A propósito, não dê um tostão para Deus. Ele não merece! Que o Padre Magalhães trabalhe para o seu ( dele ) sustento!
    hehehe

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  8. Olá, Frank, muita ardência nesse teu turbulento rabicózinho de católicuzudinho ? hehehe

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  9. O padre Magalha falou e o Hosaka crê que o homem foi à Lua. A camera de TV era fixa em 1969, só que quando o foguete foi subindo, ela foi acompanhando a subida. Filmagem hollywoodiana ( Hitchkok ou Kubrick )no deserto do Novo México ?

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