sexta-feira, 24 de maio de 2013

Kardec era racista?




O propósito desse texto é analisar o porquê de alguns texto aparentemente racistas nas obras de Kardec. Como divulgador do Espiritismo e ciente das palavras de Jesus eu acho impossível que tenha sido racista.


1- “Os negros, pois, como organização física, serão sempre os mesmos; como Espíritos, sem dúvida, são uma raça inferior, quer dizer, primitiva; são verdadeiras crianças às quais pode-se ensinar muita coisa;” (Allan Kardec, “Perfectibilidade da raça negra” Revue Spirite, Abril de 1862)
2- “Sob o mesmo envoltório, quer dizer, com os mesmos instrumentos de manifestação do pensamento, as raças não são perfectíveis senão em limites estreitos, pelas razões que desenvolvemos. Eis por que a raça negra, enquanto raça negra, corporeamente falando, jamais alcançará o nível das raças caucásicas; mas, enquanto Espíritos, é outra coisa; ela pode se tornar, e se tornará, o que somos; somente ser-lhe-á preciso tempo e melhores instrumentos. Eis porque as raças selvagens, mesmo em contato com a civilização, permanecem sempre selvagens; mas, à medida que as raças civilizadas se ampliam, as raças selvagens diminuem, até que desapareçam completamente, como desapareceram as raças dos Caraíbas, dos Guanches, e outras. Os corpos desapareceram, mas em se tornaram os Espíritos? Mais de um, talvez, esteja entre nós”. (Allan Kardec, “Perfectibilidade da raça negra” Revue Spirite, Abril de 1862)
3- “O progresso não foi, pois, uniforme em toda a espécie humana; as raças mais inteligentes naturalmente progrediram mais que as outras, sem contar que os Espíritos, recentemente nascidos na vida espiritual, vindo a se encarnar sobre a Terra desde que chegaram em primeiro lugar, tornam mais sensíveis a diferença do progresso Com efeito, seria impossível atribuir a mesma antiguidade de criação aos selvagens que mal se distinguem dos macacos, que aos chineses, e ainda menos aos europeus civilizados”
(Allan Kardec, A Gênese, ed. LAKE p. 187).
4- “Em relação à sexta questão, dir-se-á, sem dúvida, que o Hotentote é de uma raça inferior; então, perguntaremos se o Hotentote é um homem ou não. Se é um homem, por que Deus o fez, e à sua raça, deserdado dos privilégios concedidos à raça caucásica? Se não é um homem, porque procurar fazê-lo cristão ?” (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Instituto de Difusão Espírita, Araras, São Paulo, sem data, capítulo V, p. 127). 

5- “Esses Espíritos dos selvagens, entretanto pertencem à humanidade; atingirão um dia o nível de seus irmãos mais velhos, mas certamente isso não se dará no corpo da mesma raça física, impróprio a certo desenvolvimento intelectual e moral. Quando o instrumento não estiver mais em relação ao desenvolvimento, emigrarão de tal ambiente para se encarnar num grau superior, e assim por diante, até que hajam conquistado todos os graus terrestres, depois do que deixarão a Terra para passar a mundos mais e mais adiantados” (Revue Spirite, abril de 1863, pág. 97: Perfectibilidade da raça negra, in Allan Kardec, A Gênese, Lake _ Livraria Allan Kardec editora, São Paulo, p. 187).

6- “Mas, então, porque nós, civilizados, esclarecidos, nascemos na Europa antes que na Oceania? Em corpos brancos antes que em corpos negros? Por que um ponto de partida tão diferente, se não se progride senão como Espírito? Por que Deus nos isentou do longo caminho que o selvagem deve percorrer? Nossas almas seriam de uma outra natureza que a sua? Por que, então, procurar fazê-lo cristão? Se o fazeis cristão, é que o olhais como vosso igual diante de Deus; se é vosso igual diante de Deus, porque Deus vos concede privilégios? Agiríeis inutilmente, não chegaríeis a nenhuma solução senão admitindo, para nós um progresso anterior, para o selvagem um progresso ulterior; se a alma do selvagem deve progredir ulteriormente, é que ela nos alcançará; se progredimos anteriormente, é que fomos selvagens, porque, se o ponto de partida for diferente, não há mais justiça, e se Deus não é justo, não é Deus. Eis, pois, forçosamente, duas existências extremas: a do selvagem e a do homem mais civilizado.” (Allan Kardec, “Perfectibilidade da raça negra” Revue Spirite, Abril de 1862)

7- O exame frenológico dos povos pouco inteligentes constata a predominância das faculdades instintivas, e a atrofia dos órgãos da inteligência. O que é excepcional nos povos avançados, é a regra em certas raças. Por que isto? É um injusta preferência? Não, é a sabedoria. A natureza é sempre previdente; nada faz de inútil; ora, seria uma coisa inútil dar um instrumento completo a quem não tem meios de se servir dele. Os Espíritos selvagens são Espíritos de crianças, podendo assim se exprimir; entre eles, muitas faculdades ainda estão latentes. Que faria, pois, o Espírito de um Hotentote no corpo de um Arago? Seria como aquele que não sabe a música diante de um excelente piano. Por um razão inversa, que faria o Espírito de Arago no corpo de um Hotentote? Seria como Liszt diante de um piano que não teria senão algumas más cordas falsas, às quais seu talento jamais chegaria a dar sons harmoniosos.” (Allan Kardec, “Perfectibilidade da raça negra” Revue Spirite, Abril de 1862).
Por favor,  somente comentários respeitosos. A finalidade não é denegrir Kardec ou o Espiritismo, mas entender.
Se alguém desejar ler o original em francês da Revue Spirite e outras obras de Kardec, consulte:     http://www.opiniaoespirita.org/obras_kardec.htm
SA

32 comentários:

  1. Bom dia,

    Estou sem tempo de participar do Blog, mas não esqueci de vocês. Por enquanto, o máximo que posso fazer é colocar um link de O Estado. Um forte abraço a todos,

    Custo Facebook

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    1. Dona SA, se eu me enturmasse num grupo daquele do sr. Hosaka, também ficaria andando de bicicleta até não poder mais.
      Dá-lhe, Hosaka...

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    2. Essa é mais uma "prova" que alimenta minha suspeita de que algures,eu e ele já fomos bem próximos.
      Também sou ciclista,e já fui das melhores possíveis.
      Atualmente,estou mais fraca nisso,mas continuo dando minhas pedaladas.

      Todavia,tentarei arriscar um "ciúme" agora.

      Eu daria o que posso
      para ver as suas formas delineadas
      sobre um par de rodas
      em movimento e tangenciadas

      Vou ficar chorando à beça
      imaginando um homem ...(hehe! do jeito que Deus fez)
      rodando em sua bicicleta
      em meio à natureza
      sob o céu de chuva
      fugaz beleza
      espetáculo sobre a terra...

      rumo ao arco-íris.

      (hahaha!)

      Desde que eu soube dessa foto,fiquei curiosa para ver.

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  2. Parece que Rivail não teve outra saída ao analisar as diferenças culturais entre os europeus e os africanos. A partir dos pontos de vistas do Rivailismo, haveria vários estágios de desenvolvimento para os espíritos e, sendo assim, espíritos ainda pouco evoluídos deveriam reencarnar entre aqueles que se ajudariam mutuamente. Ninguém coloca um aluno que acabou de entrar na escola entre os alunos de séries adiantadas, e isso não é discriminação. Rivail era professor e deve ter analisado sob esse ponto de vista.

    Conclusão: o Rivailismo é religião racista por natureza, não tem saída. Para um rivailista, um negro hotentote ou um índio ianomâmi é a reencarnação de um espírito atrasado. Um aleijado é a reencarnação de algum malfeitor que está sendo punido por alguma maldade praticada noutra vida.
    E quem nasce V-V-eado? Por que vem com essa condição para sofrer discriminação, perseguição, rejeição e vitupério?
    E quem nasce mais feio que mudança de pobre, como o Serra e o Emperucado?

    Dona SA, não procurei denegrir nada nem ninguém, mas não sou a reencarnação de nenhum poeta grego, logo, só sei argumentar assim, pra qualquer burro entender, mormente porque por aqui tem alguém que não entende a língua portuguesa e confunde andar sobre quatro patas com só ter quatro patas.

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  3. Adilson, analisando esse primeiro parágrafo que você escreveu, eu diria que Kardec deve ter pensado assim...

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    1. Certamente, certamente, embora eu seja ferrenho opositor do profº Rivail, deve-se levar em conta que ele produziu várias obras num muito curto espaço de tempo, e, por isso, há muita coisa questionável até para quem é rivailista. Duvido que Rivail tenha assistido a alguma materialização, porque são todas fraudes conscientes e ele certamente perceberia. O livro dos médiuns, com análise de 66 tipos de mediunidade seria impossível de ser escrito em quatro anos, porque não seria possível achar tantos médiuns nos primórdios da doutrina e estudá-los seriamente. Rivail chutou a torto e a direito, e a materialização foi interpretação de lendas, de aparições e de relatos bíblicos.
      Anos mais tarde, Sigmund Freud daria a conhecer a verdadeira origem das mensagens de espíritos que Rivail não conhecia: o subconsciente. Se tivesse conhecimento da mente subconsciente, Rivail não se teria deixado enganar.

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    2. Boa noite a vcs.

      Antes de começar as réplicas,ou as "postagens solo",quero agradecer à dra Selma.
      A chance da titulação das mensagens voltou a ficar disponível.
      Poderei doravante, organizar melhor meus temas.

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    3. Não reclame, Adilson.
      Vc teve- alhures,tanta importância quanto um(a) poeta(isa) grego(a).
      Reconheço em vc a atitude do aluno Malunkya, do mestre Buda,e do (juiz? não sei...) Nicodemos, que foi interessado nos ensinos do sr.Jesus.
      Seus questionamentos são importantes,e movimentam as prosas religiosas.

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    4. Tenho um texto monumental da minha autoria no outro blog que poderia ser uma boa réplica à crônica em evidência de hoje.
      Aqui ele ficará dividido numas cinco ou seis postagens.
      Se eu me ausentar nalgum horário em que normalmente sou esperada, é porque estarei procurando-o.
      Sr.Kardec foi bem intencionado mas idem foi um "homem do tempo dele".
      Já contei no presente site que não existe pesquisa científica que esteja isenta do contágio da opinião do pesquisador ou da influência do contexto cultural em que foi feita.
      Ninguém deve se estressar contra o iniciador do Espiritismo,pois as idéias racistas persistem ainda hoje de uma forma disfarçada.(o que seria então ser esperável de cento e sessenta anos atrás?...)
      Os "estereótipos" continuam fortes agora,e influenciam muitas vezes a opinião da pessoa sobre si mesma.
      Querem ouvir uma balela disseminada até recentemente,e que prejudicou tendências e vocações?
      A de que nós mulheres somos ruins em matemática e que os homens são melhores.
      Bobagem.
      Experiências feitas com alunos do ensino fundamental em outros países desmontaram tal mito.
      A diferença existe na forma dos meninos e das meninas aprenderem.(nós mulheres somos sensíveis à insegurança de quem ensina a lidar com números)
      Mas a primeira história foi tão falada por aí,que em escolas de outros locais,os professores estão explicando às alunas que essa dificuldade é uma ficção_ a fim de que elas não desanimem da matemática.
      Tal invencionice não tem lógica,ou inexistiriam tantas gerentes de banco bem como inexistiria uma renca de contabilistas.
      E justamente,nós em especial(nós mulheres) somos atraídas a essas tarefas.

      Tem psicólogos eugenistas,mas que sem admitirem a adesão a esse movimento(que ainda existe) acham que "outras raças são menos inteligentes".
      Isso na época atual.
      Portanto, sr.Kardec- que viveu há tanto tempo, merece tolerância.
      Quase fez vantagem.
      Pelo menos "deu uma alma" aos elementos dos grupos minoritários.
      No tempo dele,esses pelos quais ele demonstrou uma "condescendência hostil" não eram chamados ainda de minorias.

      Minoria é todo grupo que independendo dos seus números reais,está em desvantagem em relação aos demais privilegiados que dividem com ele ...os mesmos espaços.(evitei dizer "a sociedade",ou ficaria rimando).

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    5. _"o que seria então esperável há cento e sessenta anos atrás?"

      _ "tem psicólogos que sem admitirem a adesão ao movimento da eugenia(que ainda existe) etc."

      Atualmente_ a Eugenia se ocupa mais é daquela história de "tradução do mapa do DNA".
      (não sei se o estudo das células tronco faz parte dos interesses da mesma)

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    6. continuação do capítulo um, intitulado "Os pares",iniciado na página da crônica "Como saber quem fomos em outra encarnação".

      11

      No irreal vêem o real
      e no real,o irreal:
      com a mente maldirecionada
      não encontrarão o real.

      12

      No real, só vêem o real,
      no irreal, o irreal:
      com a mente bem-direcionada
      encontrarão sim,o real.

      13

      Como na casa de mau teto,
      onde a água da chuva, sim, entra,
      numa mente sem treinamento,
      o desejo sempre entrará.

      14

      Como na casa de bom teto
      onde a água da chuva não entra,
      numa mente com treinamento,
      o desejo nunca entrará.

      15

      Aqui se aflige e além se afligirá,
      o mau aqui e além se afligirá,
      afligir-se-á ele e sofrerá,
      ao observar o mau carma que é o seu.

      16

      Aqui se alegra e além se alegrará,
      o bom aqui e além se alegrará,
      alegrar-se-á, satisfar-se-á,
      ao observar o bom carma que é o seu.

      17

      Aqui se acusa e além se acusará,
      o mau aqui e além se acusará.
      "Eu fiz o mal", assim se acusará,
      mais ainda nos mundos miseráveis.

      18

      Aqui se jubila e além se jubila,
      o bom aqui e além se rejubila,
      "Eu fiz o bem", assim se rejubila,
      e mais ainda nos mundos felizes.

      19

      Embora as escrituras muito diga,
      mas, imprudente,por elas não aja,
      será pastor contando alheio gado,
      sem a bem-aventurança dos ascetas.

      20

      Se bem que nunca digas as escrituras,
      mas dirija seus atos pelo dharma,
      sem desejos,sem ódio ou ilusão,
      com a mente bem treinada e liberta,
      sem ligar-se ao aqui ou ao depois,
      terá do asceta a bem aventurança.

      fim dessa parte.

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    7. Em todo esse tempo de experiência
      desde um éon para cá
      viajei no inferno da concuspicência
      cauterizei a consciência

      Tive toda sorte de instabilidade
      Conheci a felicidade e a infelicidade
      vivi de perto a irresponsabilidade
      que existe numa trajetória
      -e dias de glória.

      Tenho uma chance agora
      de me libertar
      do reino das ilusões,sem demora
      e dar um adeus aos sentimentos ruins
      que eu verei partindo assim
      como pedaços de gelo abaixo pelo oceano
      -minha história de marfim
      pode enfim, estar mudando.

      Se conheci uma vida pretérita
      foi por necessidade
      - pois saí da inércia
      para superar a origem da maldade.

      Sou feliz por ter sido quem fui
      mais feliz sou por não ser mais,
      sou feliz por ser quem eu sou,
      mais feliz eu sou
      porque amanhã não serei mais.

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    8. capítulo dezessete

      Da ira

      1

      Abandonai a ira e o orgulho,
      desprendei-vos de todas as amarras.
      Libertos de toda a individualidade,
      sem bens,a dor não vos perseguirá.

      2

      Quem controlar sua ira infrene,
      como a um carro desgovernado,
      eu chamarei de charreteiro.
      outros,só agarram as rédeas.

      3

      Sem ira,os irados vencemos,
      com o bem,vencemos os maus,
      vencemos os avaros dando,
      e com a verdade,os mentirosos.

      4

      Dizer verdades,não se irar,
      dar,se pedem,mesmo se pouco.
      Através desses três preceitos,
      iremos para o lado dos deuses.

      5

      Os sábios,sem qualquer violência,
      que sempre dominam seu corpo,
      irão ao nirvana imutável,
      onde não se lamentarão.

      6

      Mantendo-se sempre desperto,
      dia e noite sempre aprendendo,
      intento em chegar ao nirvana,
      suas paixões chegam ao fim.

      7

      Isso é coisa antiga,ó Atula,
      e não é algo dos dias de hoje:
      quem nada fala é criticado,
      quem muito fala é criticado,
      quem pouco fala é criticado.
      Ninguém no mundo disso escapa.

      8

      Nunca houve,nunca haverá,
      nem agora será encontrado
      alguém apenas criticado
      ou alguém apenas louvado.

      9

      Em alguém pelos sábios louvado,
      após terem visto possuir
      conduta pura,inteligência
      a firme virtude e saber,

      10

      tal como uma jóia de ouro,
      quem poderá achar seus defeitos,
      se os próprios deuses o admiram,
      assim como o próprio Brahma?

      11

      Guardemo-nos dos excessos do corpo.
      Tenhamos o corpo bem controlado.
      De lado a má conduta corporal.
      Com o corpo,boa conduta sigamos.

      12

      Guardemo-nos dos excessos da fala.
      Tenhamos a fala bem controlada.
      De lado a má conduta nas palavras.
      Com a fala,boa conduta sigamos.

      13

      Guardemo-nos dos excessos da mente.
      Tenhamos a mente bem controlada.
      De lado,a má conduta no pensar.
      Com a mente,boa conduta sigamos.

      14

      Com o corpo sempre controlado,sábios,
      e também com a fala bem controlada,
      sábios,com a mente sempre controlada,
      estes, sim, são muito bem controlados.

      glossário,

      Atula foi o discípulo de Buda que despertou essas estrofes, por ter criticado seus colegas Revata,que nada dizia, Sariputra,por falar muito e Ananda,por ser muito comedido ao falar.
      Hum...mas vou fazer de conta que fui eu quem aconselhei ao Contravocê...espero que ele tenha aprendido a não ficar bravo.(rs...)

      -Explicação,
      Esse capítulo foi escolhido absolutamente ao acaso.
      É que perdi uma postagem antes,e para não repetir o texto que sumiu(não percebi como), precisava encontrar outro mais adiantado nas páginas,para substituí-lo.
      Depois,publicarei o último capítulo(Os Brâmanes) e em seguida passarei a outro livro budista da minha estante,cujos ensinos são mais resumidos.

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    9. tripitaka 1.058,nostálgicasábado, maio 25, 2013 6:02:00 AM

      Quando eu tinha catorze anos sonhei certa vez que eu era uma safira,mas com um brilho exagerado.
      Eu era uma "pedra falsa",ou assim me sentia.
      Sempre lembrei de duas vidas pretéritas em especial,mas gostei mais daquela em que tive um nome parecido com o da jóia mencionada,pois na subsequente conheci a antítese do amor de Eros,que foi um ódio terrível...(estou superando até hoje).
      Eu ainda queria ser aquela guria despreocupada.
      A menina de catorze anos,ou a "jóia azul" de outros tempos?
      Decidam vcs,qualquer coisa que pensarem,estará certa.

      Tais lembranças me assomaram abundantemente cedo,para eu saber resolver encrencas pessoais a partir da origem,pois elas eram sérias.
      Pareço angelical,e de fato sou,mas tive uma rotina conturbada.
      Necessitava começar uma mudança.
      Anos de meditação foram como uma dinamite- mas reaprendi a "me situar",e vi que foi uma boa idéia começar a meditar.
      Hodiernamente,não ando,mas flutuo, em comparação aos velhos tempos(nos quais felizmente,conheci ao Príncipe)
      Hodiernamene também, vemos a decadência da urbanidade.
      Difícil ligar a televisão sem querer fugir.
      O nível de algumas pessoas parece estar caindo.
      Meses atrás,eu faria discursos de "livre pensamento" a respeito das ocorrências noticiadas.
      Agora porém,estou preferindo apelar para os discursos budistas.(será que tenho no inconsciente, os "discursos do Lísias"?
      Arara.
      Existem duzentos e trinta e três deles disponíveis em bibliotecas.
      Realmente, ele(eu) estava destinado(a) a conhecer o Adilson algum dia...haha!)
      Tenho a esperança que a luz do dharma ilumine como uma fagulha,outras intimidades conturbadas como foi a minha.
      O mundo deverá pacificar-se a partir da origem-e nós precisamos libertarmo-nos das nossas ilusões ruins, a fim de ficarmos fortes para mudar o contexto social.

      Desejo um bom sábado aos que viram "isso tudo".

      §§§§§§§§§§§§

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    10. capítulo 26 (último)

      Dos Brâmanes

      1

      Esforçado, cruza a torrente!
      livra-te dos prazeres, brâmane,
      vendo que os sancaras tem fim,
      chegarás ao Nirvana, brâmane.

      2

      Quando, imbuído dos dois darmas,
      chega à outra margem, o brâmane,
      para ele, que ora tudo sabe,
      todos os grilhões se arrebentam.

      3

      Para quem esta e a outra margem,
      ambas, deixaram de existir,
      quem se livrou da dor, sem jugos,
      a este, sim, eu chamo de brâmane.

      4

      Quem,sem desejos, só, medita,
      o dever cumprido, sem nódoas,
      quem chegou ao alvo supremo,
      a este, sim, eu chamo de brâmane.

      5

      Durante o dia brilha o sol,
      a lua fulgura de noite,
      na armadura brilha o rajá,
      na meditação brilha o brâmane,
      mas todo o dia e toda a noite,
      brilha o Buda em seu esplendor.

      6

      Se livre do mal, é um brâmane,
      se é um asceta,vive calmo.
      Se se livrou das próprias nódoas,
      este, sim, é que foi adiante.

      7

      Não fira seus iguais um brâmane,
      nem a eles mova vingança.
      Vergonhoso atacar um brâmane,
      mais ainda, se por vingança.

      8

      Não será algo de pequena importância
      ter-se livrado do prazer de vingar-se.
      Quando cessar toda violência na mente,
      todo sofrimento apaziguar-se-á.

      9

      Quem não pratica nenhum mal,
      com o corpo,com a fala e a mente,
      contidos nestes três aspectos,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      10

      A quem ensina o darma vero,
      perfeitamente iluminado,
      prestemos nossa reverência,
      como fazem ao fogo os brâmanes.

      11

      Não pelas tranças, pelo clã,
      pelo nascimento se é brâmane.
      Em quem há verdade, e há darma,
      este sim, que é puro e que é brâmane.

      12

      Para que tuas tranças, ó tolo,
      para que essa pele de gamo?
      Dentro de ti há uma selva,
      apenas do exterior tu cuidas.

      13

      Quem veste os trapos dos monturos,
      magro, as veias do corpo à mostra,
      quem medita, só, na floresta,
      a este sim, eu chamo de brâmane.

      14

      Eu nunca chamarei de brâmane
      quem vier do ventre de mãe brâmane:
      não passa de alguém arrogante,
      de alguém que possui muitos bens.
      Quem nada tem, e nada toma,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      15

      Tendo todos os grilhões cortado,
      destituído de todo medo,
      além das amarras, sem laços,
      a este, sim, chamo eu de brâmane.

      16

      Se cortou a correia e a cilha,
      e a corda com aquilo que traz,
      levantada a barra, desperto,
      a este, sim, chamo eu de brâmane.

      17

      Quem aguenta, sem ódios, insultos,
      maus tratos, encarceramento,
      na calma forte como o exército,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      18

      Sem ódio, aplicado nas regras,
      virtuoso, livre dos desejos,
      domado, no último corpo,
      a este, sim, chamo eu de brâmane.

      19

      Como água na folha de lótus,
      ou um grão na ponta d'agulha,
      quem não se fixa nos prazeres,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      20

      Quem aqui mesmo neste mundo,
      souber como a dor chega ao fim,
      livre do fardo dos desejos,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      21

      Se tem profunda visão, sábio,
      se aparta o bom do mau caminho,
      se chegou ao alvo supremo,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      22

      Não se ligando aos que tem lar,
      e também aos que não o tem,
      vivendo sem casa,com pouco,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      23

      Quem deixa de usar o chicote,
      contra os fortes e contra os fracos,
      e não mata,nem causa a morte,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      24

      Sem hostilidade entre os hostis,
      pacífico entre os armados,
      sem ambição entre ambiciosos,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      25

      Se o desejo, o ódio, a vaidade
      e a falsidade despencaram
      como o grão da ponta d'agulha,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      26

      Àquele que fala a verdade,
      sem aspereza, edificando,
      em ninguém despertando ira,
      a este sim, chamo eu de brâmane.


      -continua

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    11. dharmapada 4, segunda partedomingo, maio 26, 2013 6:48:00 AM

      seguimento,

      27

      Àquele que aqui neste mundo
      não se apossa do que não lhe dão,
      seja coisa grande ou pequena,
      cara ou não, prazerosa ou não,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      28

      Em quem não se encontram anseios,
      aqui neste mundo e além,
      livre dos desejos, sem laços,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      29

      Em quem não se encontram amarras,
      convicto por saber profundo,
      no nirvana sem morte imerso,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      30

      Quem neste mundo está além
      das amarras boas e más,
      livre da dor,das nódoas, puro,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      31

      Quem como a lua é claro e puro
      sereno, sem agitação,
      extinta a ânsia de existir,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      32

      Quem este atoleiro difícil,
      o samsara, a ilusão deixou,
      meditando, além,no outro lado,
      sem desejos, com convicção,
      sem amarras, apaziguado,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      33

      Quem aqui descarta os desejos,
      sem casa,se faz andarilho,
      extinto o desejo de ser
      e também o prazer sensual,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      34

      Quem aqui descarta a ansiedade,
      sem casa, se faz andarilho,
      extinta a ânsia de existir
      e também o prazer sensual,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      35

      Quem abandona o jugo humano
      e transcende o jugo dos céus,
      livre de todas as amarras,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      36

      Quem, sem prazer ou desprazer,
      calmo e sem desejos sensuais,
      herói que conquistou mundos,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      37

      Quem percebe que todo ser,
      assim como nasce, fenece,
      sem desejos, feliz, desperto,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      38

      Quem cujo curso não percebem
      os deuses, homens ou gandarvas,
      livre das nódoas, homem Digno,
      a este sim,chamo eu de brâmane.

      39

      Pr'aquele pra quem nada existe,
      no porvir,presente ou passado,
      nada tendo e nada querendo,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      40

      Se touro, magnífico, heroico,
      grande sábio, conquistador,
      sem paixões e purificado,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      41

      Quem vê suas vidas passadas,
      e vê os céus e os infernos,
      quem extinguiu o renascer,
      sábio, com a mais profunda visão,
      chegado à perfeição final,
      a este sim, chamo eu de brâmane.

      (comentários na próxima postagem)

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    12. O Dharmapada é a literatura mais importante do budismo theravada,mas eu não sou "theravada".
      Todavia,gosto de ler esse portento da nossa biblioteca, porque os ensinamentos podem ser praticados de uma forma "abstrata" por todos os seguidores.
      Paradoxalmente,sou a favor do materialismo ético e lúcido(tenho uma sequência de textos a respeito escritos na página de uma crônica em destaque- de semanas atrás aqui no blog)
      Mas podemos evitar "que o desejo nos mate", eliminando os excessos,e procedendo sempre de forma ética- quando é o caso de satisfazer os desejos.
      Com boa parte das assertivas do Dharmapadha,nós budistas do "Grande Caminho" concordamos.

      Algum dia,eu acabaria trazendo um pouco dessa monumental leitura aos interessados.
      Era a mim que cabia esse dever.
      Vejam o artigo da wiki sobre a referida versão clássica do darma original.

      o ódio não é curado com o ódio,e sim,com o amor.

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    13. A tradução que usei foi do livro "Darmapada,a doutrina budista em versos" da L&PM Pocket, feita por Fernando Cacciatore de Garcia, ex diplomata brasileiro,que agora trabalha como editor.
      Acredito que ele é um "brother" do nosso sangha,embora eu não tenha encontrado nenhuma informação que o confirme.


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    14. Irei complementar a réplica que escrevi anteontem ao artigo da Selma sobre o racismo do sr.Kardec.(na tripitaka 1.057)
      Quando leio algum texto por ele escrito, percebo que ele era estressado-mas acho que os franceses são assim.
      A pesquisa do mesmo que deu origem ao "kardecismo"- e suas conclusões,são plausíveis.
      De todo modo, ele não foi santo,e por isso,podia ser mal-humorado e dado a vícios mentais.
      Os verdadeiros santos não deixam dúvidas sobre quem são.
      Desses,nem precisamos exigir,pois nos concedem até mais do que desejávamos.
      O inventor do espiritismo foi um homem comum que,acidentalmente,iniciou uma religião.
      Talvez, se ele se lembra de tudo o que fez,como gente comum que ainda é- se assusta com a responsabilidade que assumiu.

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    15. E nessa postagem, irei complementar as curiosidades culturais( e maionésicas) contadas na tripitaka 1.058.

      Discursos do Lísias?
      Esses discursos foram as laudas advocatícias a favor dos clientes.
      Houveram retóricos que ficaram famosos naquele tempo(da vida do dr.Sócrates),mas Lísias e Demóstenes são os mais conhecidos.
      (Desmótenes era o gaguinho que superou suas dificuldades linguísticas)

      No ano em que pesquisei sobre personalidades da Grécia clássica,e seus feitos_ li na web alguns discursos do primeiro,mas não os adicionei ao Favoritos,pois ainda não sabia usar a ferramenta de tradução em qualquer tipo de página.
      As dissertações dele se parecem com minhas primeiras crônicas para o gd do Terra,e em sua juventude, era tão conciso que podia ser uma Safo revivida,e nesse fato,confirmei a ligação de ambos.
      (ele também leu os nove livros da antípoda,e ficou por um tempo,impregnado da gramática assimilada)
      A mais famosa das prosas dele,foi a defesa que absolveu o carinha que matou o Erastótenes,na qual ele alegou "legítima defesa da honra" do homicida,que deu cabo do bobão, por esse ter seduzido a esposa dele(do homicida).
      Que treco mais Gil Gomes...eu hem...kkk...
      E o Erástones foi o líder dos trinta tiranos de Atenas,que fez miséria por lá até ser destronado por Trasíbulo.
      Sua maior consecução,porém,foi granjear a antipatia do Lísias,o qual desejou a vida inteira poder ferrá-lo.
      O político bêbado(só podia ser um drogado) nem podia imaginar isso...
      Ora,o que ele fez contra o retórico?
      Não tenho vontade de contar,pesquisem na web à vontade.
      É um melodrama e tanto...
      ... (deixa eu fugir disso...
      Eu precisava mesmo de uma vida onde eu desaprendesse a odiar.
      Para isso,fez-se mister eu rememorar a vida de uma poetinha que só teve bons sentimentos em todos as circunstâncias - mesmo quando foi inevitável chorar.
      Afinal, todas as coisas já estão em seus devidos lugares.
      (e os tolos de outrora, andam se redimindo).

      Desejo um bom domingo aos bloguistas-e muita paz a mim,e aos que eu conheço de perto,e de longe.
      (eu precido mesmo do auxílio do Darmapada...)

      §§§§§§§§

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    16. Hoje é domingo, e o sr. Hosaka vai dar uma pausa na bicicleta e vai assistir à missa. Ele não vai beber o sangue de Cristo, porque a ICAR não dá o vinho aos fiéis, só o sacerdote é que tem esse direito. Ninguém reclama, porque não leram que Jesus disse que não teria parte com ele quem não comesse sua carne e bebesse seu sangue, simbolizados na ceia.
      Pensando bem, eles se preocupam mais com Maria, a "mãe de Deus", que com Jesus, representado por uma criancinha no colo da mãe. Quem se importa muito com uma criancinha?
      Se algum curioso perguntasse, o sacerdote José daria a opinião da ICAR sobre o destino da alma imortal de Chico Xaveco: está no Inferno em companhia de Judas Iscariotes, de Maomé, de Hitler e de Sidarta Gautama, o famoso Bundhão gordo.
      Os evangélicos pensam a mesma coisa, porque herdaram dos romanistas a crença em alma imortal e inferno.
      Porém, a Bíblia não diz em lugar algum que existe alma imortal, muito pelo contrário.

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    17. Será que o Hosaka está andando mesmo de bike com aquela turma? Será que a Nihil está no meio daquele pessoal? rsrs

      SA

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    18. Em relação às materializações, você tem a data de quando se teve notícia da primeira?Não estou falando as da Bíblia e sim as "produzidas" por médiuns. Será que foi William Crookes?

      SA

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    19. entropia 171

      De novo,não poderei usar meus títulos...
      Tsc.

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    20. entropia 172

      Boa noite Selma.
      Eu queria mesmo estar na turma que andou de bicicleta ao lado do sr.Hosaka,e tê-lo visto bem ao natural...(hehe!)

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    21. entropia 173

      Ao Adilson.

      Hoje,eu orei ao sri Santinho.
      Tão fervorosamente,que pareci ouvi-lo dizer para mim uma ordem,

      "faça a um interlocutor virtual seu,que usa certo número no nique- uma pergunta fatídica,
      indague,_ como vai sua entropia?"

      Não compreendi, mas não pude desobedecer ao meu mestre.

      (tooóingg...)

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    22. Este comentário foi removido pelo autor.

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    23. encrenca 1.354

      Mais umas curiosidades históricas(e maionésicas)
      Rever o passado do mundo afinal,me entusiasma.

      O retórico Lísias conheceu o "Adilson" da época dele.
      Foi um "amigo" chamado Alcebíades, general ateniense,bonitão e ...(hahaha!) gay.
      (Hã...não chamei o Adilson disso,mas agora estou lembrando de uma "amiga" dos velhos tempos,cujo nome era semelhante,e que de amiga não tinha nada...só não saíamos no tapa porque todo mundo iria nos separar.)
      O "Alce" achava que as pessoas sempre iam se render a ele,devido à sua boa aparência,mas Lísias processou-o por alguma contravenção que ele fez.
      Ambos não se gostavam muito,mas se toleravam,em nome da aproximação com dr.Sócrates.
      Lísias certa vez cortou uma árvore(uma oliveira) que ficava em frente à sua casa,e aí foi o "Alce" quem o processou.
      Cobrou-lhe mil reais.(sei lá qual era o valor do dinheiro naquele tempo)
      Ora,bem antes de saber dessa fofoca toda- cortaram minha árvore preferida numa praça aqui perto, que era um "manacá-da-serra" ao qual eu dera o nome de "João".
      Na ocasião,chorosa, fiz uma poesia no gd do Terra homenageando-o e aí o professor Andros também postou suas poesias sobre árvores cortadas pelo vento.
      Ora.
      Hoje -dia em que falei um pouco nesses personagens antigos,passei por outro momento triste.
      Rodando de bicicleta na praça, vi o tronco do "João" cair de vez.

      Não sei dizer o que senti naquela hora...

      (em tempo,
      Gosto mais do Adilson do que do cara dos galhinhos na cabeça,e mais do que daquela ...ave rara(para não dizer outra palavra) que conheci na época escolar.
      Para o ele ao menos,posso perguntar por qualquer coisa terminada em "ia".
      (rs...)

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